Usina de Colíder (MT) sai de 'alerta' para 'atenção' após ações contra falhas estruturais
Usina de Colíder (MT) sai de alerta para atenção após falhas

Usina de Colíder (MT) sai de 'alerta' para 'atenção' após ações contra falhas estruturais

A situação da Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no Rio Teles Pires, no município de Itaúba, a 599 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, passou do estado de "alerta" para "atenção" neste sábado, 21 de setembro. A informação foi confirmada através de um comunicado oficial divulgado pela empresa proprietária, a Axia Energia, anteriormente conhecida como Eletrobras.

Com essa alteração de status, a expectativa é que o reenchimento do reservatório tenha início a partir desta segunda-feira, 23 de setembro. Essa medida faz parte de um conjunto de ações implementadas pela usina desde que o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) apontou inúmeras falhas estruturais no sistema de drenagem da barragem.

Medidas de segurança e monitoramento ambiental

O MP-MT chegou a recomendar a desativação da barragem caso não houvesse outra alternativa viável para garantir a segurança. Em resposta, a Axia Energia estabeleceu que o reservatório será reenchido com um limite de 25 centímetros por dia, seguindo um fluxo gradual e controlado para priorizar a segurança dos moradores da região, do meio ambiente e do próprio empreendimento.

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"O processo inclui monitoramento permanente da qualidade da água e da fauna aquática e terrestre, além de comunicação constante com as comunidades locais", afirmou a empresa em nota oficial. A Axia orientou ainda a população local a acompanhar os comunicados oficiais para seguir os cuidados necessários durante o período chuvoso, alertando para que barcos, flutuantes e materiais próximos ao rio sejam guardados ou amarrados de forma adequada.

Histórico de problemas e impactos ambientais

Em janeiro deste ano, duas sirenes foram acionadas de forma indevida na usina, causando pânico entre os moradores que saíram de suas casas. A empresa abriu uma apuração para esclarecer o ocorrido e descartou qualquer situação de perigo iminente. Em um fato relevante divulgado ao mercado financeiro, a Axia informou que, dos 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo.

Os drenos são estruturas cruciais que permitem que a pressão da água sob a barragem seja escoada de maneira adequada. Para verificar essas falhas e aliviar a pressão sobre a estrutura, a usina reduziu o nível do reservatório. Contudo, essa medida gerou danos ambientais significativos, incluindo:

  • Morte de aproximadamente 1.500 peixes
  • Alteração da qualidade da água
  • Comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática
  • Prejuízos à fauna migratória

O rebaixamento do reservatório também comprometeu a atividade pesqueira, o turismo regional e o comércio local. Segundo o MP-MT, o impacto econômico no setor foi estimado entre R$ 10 e R$ 12 milhões por ano. A medida afetou ainda eventos culturais tradicionais, como o "Fest Praia" e o "Viva Floresta", além de dificultar o acesso das comunidades ribeirinhas ao rio, prejudicando seu modo de vida tradicional.

Contexto e denúncias anteriores

A usina entrou em estado de "alerta" em agosto do ano passado, conforme investigação do MP-MT. Na ocasião, quatro entidades civis denunciaram à Organização das Nações Unidas (ONU) o risco de rompimento da barragem. A denúncia foi protocolada no departamento de Direitos Humanos à Água Potável e Saneamento da ONU, destacando que o Rio Teles Pires é um dos mais impactados por hidrelétricas na Amazônia.

Desde então, a empresa administradora afirmou seguir um cronograma com várias fases para reforçar a segurança do local. A Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no Rio Teles Pires, possui potência de 300 megawatts e um reservatório com área total de 168,2 km² e 94 km de comprimento. Em operação desde 2019, ela abrange os municípios de Cláudia, Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte.

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Responsável pela construção da usina entre 2011 e 2019, a Copel Geração e Transmissão transferiu a gestão para a Axia Energia em maio do ano passado. Na troca de ativos, a Copel cedeu a usina e um pagamento de R$ 196,6 milhões após ajustes contratuais, enquanto a Axia cedeu a Mata de Santa Genebra Transmissão (MSG) e a Usina de Mauá. A Usina de Colíder representa apenas 0,5% do ativo total da Axia, conforme comunicado ao mercado financeiro.