TJPA derruba liminar e libera projetos polêmicos da Prefeitura de Belém
TJPA libera projetos de Belém após derrubar liminar

Tribunal de Justiça do Pará revoga liminar e libera projetos da Prefeitura de Belém

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) derrubou na noite de quarta-feira, 21 de janeiro, uma decisão liminar que suspendia a aprovação de projetos da Prefeitura de Belém em uma sessão extraordinária da Câmara de Vereadores. O desembargador Roberto Gonçalves de Moura, presidente do TJPA, atendeu ao recurso da prefeitura, que alegava riscos à ordem pública administrativa.

Contexto da suspensão inicial

A liminar havia sido concedida pela juíza Cíntia Gomes, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Belém, em 12 de janeiro, atendendo a uma ação movida pelas vereadoras Marinor Brito (Psol) e Vivi Reis (Psol). Elas argumentavam violação ao prazo regimental mínimo de 48 horas e à comunicação escrita para convocação da sessão extraordinária, realizada em 17 de dezembro de 2025 durante o recesso parlamentar.

A decisão inicial determinava que a tramitação e votação dos projetos retornassem às comissões da Câmara em até 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. No entanto, o TJPA reverteu essa medida, aceitando a alegação da prefeitura de que a suspensão poderia causar grave lesão à ordem pública administrativa e à segurança pública.

Projetos aprovados e controvérsias

Entre os 14 projetos de lei aprovados na sessão de 17 de dezembro, destacam-se:

  • Alterações nas regras de cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
  • O novo estatuto dos servidores públicos municipais, que tem sido alvo de protestos por parte dos servidores.
  • O Estatuto do Magistério do Município de Belém.
  • Outras mudanças em legislações tributárias e administrativas.

Segundo a prefeitura, com a derrubada da liminar, os projetos agora serão sancionados e implementados, o que deve gerar impactos significativos na cidade.

Reação da oposição e críticas

A oposição, liderada pela vereadora Marinor Brito, manifestou preocupação com a decisão do TJPA, classificando os projetos como parte do pacote de maldades do prefeito Igor Normando. Em nota, ela argumentou que as medidas representam aumento de impostos e pressão inflacionária, reduzindo o poder de compra dos servidores municipais e penalizando milhares de famílias.

Quando o servidor perde renda, toda a economia local sente os efeitos: cai o consumo, o comércio é impactado e diminui a circulação de recursos na cidade, afirmou Marinor Brito. Ou seja, trata-se de um pacote que aprofunda desigualdades e freia o desenvolvimento econômico local.

Lista completa dos projetos aprovados

Na sessão extraordinária, os vereadores apreciaram 14 projetos de lei, todos de autoria da Prefeitura de Belém e aprovados por maioria de votos. Os principais incluem:

  1. Alteração no art. 3º da Lei 9.518/2019 para preenchimento privativo de cargos em comissão por servidores de carreira.
  2. Alteração na Lei Ordinária 8.792/2010 que disciplina o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis).
  3. Alteração/acréscimo na Lei 7.056/1977 (Código Tributário) para atualização do valor venal de imóveis.
  4. Instituição do Programa Municipal de Habitação de Interesse Social MORAR BELÉM, alinhado ao Minha Casa Minha Vida.
  5. Estatuto do Magistério do Município de Belém.
  6. Novo Estatuto dos servidores públicos municipais, com regime jurídico único focado em ética e desempenho.

Essas mudanças devem reconfigurar aspectos tributários, administrativos e sociais na capital paraense, gerando debates acalorados entre governo e oposição nos próximos meses.