Rio Branco publica edital bilionário para concessão do transporte coletivo por 10 anos
Rio Branco abre licitação de transporte coletivo por 10 anos

Rio Branco inicia processo licitatório para transporte coletivo com investimento superior a R$ 1 bilhão

A Prefeitura de Rio Branco, capital do Acre, deu um passo decisivo na reestruturação do sistema de transporte público municipal com a publicação do edital de licitação que definirá a nova empresa responsável pela operação dos ônibus urbanos. O documento, divulgado nesta quinta-feira (12), estabelece as regras para uma concessão que se estenderá por dez anos, representando um investimento global estimado em mais de R$ 1 bilhão ao longo do período contratual.

Processo competitivo com critério de menor tarifa

As empresas interessadas em assumir o serviço de transporte coletivo da capital acreana têm até o dia 22 de abril para apresentar suas propostas, data marcada para a sessão pública de abertura dos envelopes. A licitação será realizada na modalidade concorrência presencial, com o critério de julgamento baseado no menor valor da tarifa de remuneração oferecido pelas participantes.

A entrega da documentação deve ser feita na sede da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, localizada no Centro de Rio Branco. Cada empresa deverá apresentar três envelopes contendo:

  • Envelope 1: Documentos de representação e declarações
  • Envelope 2: Propostas econômicas (após habilitação)
  • Envelope 3: Documentos de habilitação da empresa classificada

Etapas rigorosas de análise e fiscalização

Após o encerramento do prazo de entrega, a Comissão Especial de Licitação realizará a abertura pública dos documentos iniciais para verificação do cumprimento das exigências do edital. Caso sejam identificadas falhas consideradas sanáveis, as empresas terão oportunidade de corrigi-las, sob risco de exclusão do processo se os problemas persistirem.

Na etapa de habilitação, as empresas devem comprovar:

  1. Regularidade fiscal, trabalhista e jurídica
  2. Capacidade técnica para operar o sistema
  3. Sustentação financeira para assumir a concessão

A operação do transporte coletivo será fiscalizada pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), que monitorará o cumprimento das obrigações contratuais através de sistemas eletrônicos de controle. O município reserva-se o direito de realizar auditorias técnicas, operacionais, contábeis e de custos a qualquer momento.

Disputa aberta com lances públicos

O processo de disputa ocorrerá em modo aberto, com lances públicos e sucessivos entre os participantes habilitados. Durante essa fase, os representantes das empresas poderão apresentar novos valores para reduzir o custo de suas propostas, iniciando-se pela oferta considerada menos vantajosa para a administração pública.

Se a diferença entre a primeira e a segunda colocada ultrapassar 5%, a comissão poderá reabrir a disputa para uma nova rodada de lances. A empresa vencedora será aquela que apresentar o menor valor da tarifa de remuneração de julgamento, calculado conforme planilha de composição de preços prevista no documento.

Contexto de instabilidade no transporte público

O sistema de transporte público de Rio Branco enfrenta anos de instabilidade operacional. Desde fevereiro de 2022, a operação é mantida pela empresa Ricco Transportes e Turismo através de contratos emergenciais renovados semestralmente. A empresa assumiu 31 das 42 linhas após a saída da Empresa Auto Viação Floresta.

Em entrevista recente, o proprietário da Ricco, Ewerson Dias, revelou que a companhia acumula prejuízos significativos, registrando aproximadamente R$ 7 milhões em 2024 e mais de R$ 8 milhões em 2025. Para manter o funcionamento do sistema sem aumentar a tarifa aos usuários, a Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio de R$ 3,63 por passageiro transportado, complementando a tarifa de R$ 3,50 paga diretamente pelos usuários.

Após a conclusão da licitação e homologação do resultado, a empresa vencedora terá até dois meses para assinar o contrato de concessão. A concessionária deverá apresentar uma garantia equivalente a 3% do valor dos investimentos previstos, que poderá ser devolvida após o cumprimento de todas as obrigações contratuais.