Ministério Público exige solução urgente para alagamentos crônicos na Avenida Adelmo Perdizza
MP cobra solução para alagamentos em avenida de Ribeirão Preto

Ministério Público exige solução urgente para alagamentos crônicos na Avenida Adelmo Perdizza

O Ministério Público do Estado de São Paulo está cobrando uma solução definitiva para os constantes alagamentos que afetam a Avenida Adelmo Perdizza, uma importante conexão viária na zona sul de Ribeirão Preto. Os problemas, que se repetem há anos, voltaram a paralisar o trânsito nesta semana, com o trecho de entroncamento com o Anel Viário Sul ficando completamente intransitável por duas vezes devido às chuvas intensas.

Fatores que contribuem para as inundações

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, múltiplos fatores se combinam para criar o cenário de alagamentos recorrentes:

  • Acúmulo excessivo de sujeira nas galerias pluviais
  • Falhas graves no sistema de drenagem, especialmente nas barragens de contenção
  • Aumento significativo da impermeabilização do solo devido ao avanço imobiliário
  • Falta de roteamentos adequados para as águas pluviais

O engenheiro civil José Roberto Romero explicou à EPTV, afiliada da TV Globo: "São águas pluviais que vêm da rua, das galerias. A impermeabilização, a falta de drenagem, de roteamentos, as galerias entupidas, tudo isso vai contribuindo para a situação crítica que vivemos".

Ação do Ministério Público e responsabilidades

O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público acompanha os problemas na região desde 2019 por meio de um inquérito. Uma reunião foi marcada para esta sexta-feira (13) para discutir as medidas mais imediatas a serem implementadas.

A promotora de Justiça Cláudia Habib destacou que a solução definitiva exigirá intervenções estruturais que devem ser estudadas em conjunto com o município, Defesa Civil e a concessionária responsável pela rodovia. "Temos aí, com certeza, deficiências do sistema de drenagem e, a princípio, uma responsabilidade conjunta, que vem da contribuição do sistema de drenagem do município e também pode advir da contribuição do sistema de drenagem da rodovia", afirmou a promotora.

As barragens problemáticas

Um dos pontos mais críticos identificados pelos especialistas é o funcionamento inadequado das três barragens construídas pela Prefeitura para controlar a vazão de água na região:

  1. Barragem do distrito de Bonfim Paulista: A maior delas, com capacidade para 500 milhões de litros, projetada para reter água antes que chegue à área central
  2. Barragem da Mata de Santa Tereza: Com capacidade para 210 milhões de litros
  3. Barragem próxima a condomínios da Vila Virgínia: De menor porte, mas igualmente importante

O sistema tem se mostrado ineficiente. A barragem de Bonfim Paulista retém apenas parte do volume de água, a da Vila Virgínia está com vertedouros rompidos, e a de Santa Tereza sofre com acúmulo excessivo de sujeira. O engenheiro Romero recomenda desassoreamento imediato e sugere a construção de uma barragem intermediária para complementar o sistema.

Projetos não implementados e expansão imobiliária

Outro grave problema apontado é a ausência de diques de contenção que estavam previstos para a barragem de Santa Tereza, mas nunca foram construídos. "O objetivo do dique seria fazer a contenção das águas dentro da bacia a jusante, ou seja, antes da barragem. Então, com esses diques, a água não iria para a avenida. Seria uma contenção, um regulador de vazão", explicou o especialista.

A expansão imobiliária na região agravou significativamente a situação, com menos áreas permeáveis disponíveis para a infiltração da água no solo. Romero destacou: "Impermeabilizou muito mais o solo, teve mais construções, mais pavimentação, não tem captação de água no local. Nós precisamos evoluir nisso daí e temos técnicas de engenharia para isso".

Posicionamento das autoridades

Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto afirmou que realiza limpezas constantes nas três barragens da cidade, que o trecho da Adelmo Perdizza é de responsabilidade da concessionária, e que mantém conversas para resolver a situação.

A Entrevias, concessionária responsável pelo trecho da rodovia, informou que monitora o local com frequência, mas alegou que os alagamentos são causados pela ineficiência do programa antienchentes do município.

Enquanto as autoridades discutem responsabilidades, os moradores e usuários da Avenida Adelmo Perdizza continuam sofrendo com os transtornos causados pelos alagamentos recorrentes, que comprometem a mobilidade urbana e representam riscos à segurança pública.