Juiz de Fora se destaca em ranking nacional de saneamento
A cidade de Juiz de Fora, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, conquistou uma posição de destaque no cenário nacional de saneamento básico. Segundo o mais recente Ranking do Saneamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados, o município é a única representante mineira entre as dez melhores cidades do país no atendimento de água à população.
Investimento abaixo do patamar ideal
Contudo, essa conquista vem acompanhada de um paradoxo preocupante. Os dados revelam que Juiz de Fora investe apenas R$ 92,95 por habitante em serviços de saneamento, valor que representa menos da metade do considerado ideal pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), do Ministério das Cidades. O patamar adequado seria de R$ 225 por pessoa, o que coloca o investimento municipal 58,69% abaixo do necessário.
Essa cifra posiciona Juiz de Fora como a 43ª pior cidade entre as 100 mais populosas do Brasil em termos de investimento per capita no setor. A situação é ainda mais alarmante quando se considera que o município está entre as 51 maiores cidades do país que investem menos da metade do valor ideal estabelecido para a universalização dos serviços.
Progresso e desafios no ranking geral
O levantamento, que utiliza dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), mostra que Juiz de Fora apresentou uma redução de 7,2% no valor investido por habitante em comparação com estudos anteriores. Em 2025, a cidade investia R$ 100,14 por pessoa, indicando uma tendência de queda nos recursos destinados ao setor.
Apesar disso, a cidade mineira subiu 12 posições no ranking geral de saneamento, demonstrando que outros fatores além do investimento financeiro contribuíram para a melhoria dos serviços. O estudo avalia múltiplos indicadores, incluindo abastecimento de água, esgotamento sanitário, tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos por habitante.
Investimentos dos últimos cinco anos
Analisando um período mais amplo, entre 2020 e 2024, Juiz de Fora investiu um total de R$ 262,94 milhões em saneamento básico. Esse montante coloca o município como a 48ª cidade que mais investiu no setor nos últimos cinco anos em todo o país.
Entretanto, quando comparado ao período anterior (2019-2023), houve uma redução de 2,9% nos investimentos totais. No intervalo anterior, conforme dados do Trata Brasil, a cidade havia aplicado R$ 270,77 milhões em melhorias no sistema de saneamento.
Perspectivas futuras e posicionamento da Cesama
A Companhia de Saneamento Municipal (Cesama) emitiu uma nota oficial destacando que as obras realizadas em 2025 e as que estão em andamento devem refletir positivamente nos próximos rankings do Instituto Trata Brasil. A empresa municipal expressou expectativa de um avanço ainda maior no posicionamento da cidade nas próximas avaliações.
"A melhora significativa da posição de Juiz de Fora no Ranking de Saneamento 2026 reflete os investimentos sólidos e contínuos que vêm sendo feitos na cidade", afirmou a Cesama em comunicado. A companhia citou como exemplos de obras em execução os interceptores de esgoto Independência e Mariano Procópio, a complementação dos coletores Tapera e São Pedro, e a integração dos sistemas Barreira do Triunfo e Barbosa Lage.
Na área de abastecimento de água, a Cesama destacou a entrega de reservatórios em diversas regiões da cidade, incluindo Dom Bosco, Jardim das Flores, Jardim dos Alfineiros, Milho Branco, Santos Dumont e Santa Lúcia. A empresa ressaltou ainda que os números fornecidos ao Sinisa são auditáveis e reconhecidamente confiáveis, tendo recebido o Selo A da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG).
Contexto nacional
O Ranking do Saneamento do Trata Brasil é publicado desde 2009 e se consolidou como uma importante ferramenta de monitoramento das políticas públicas na área. No extremo oposto de Juiz de Fora, encontra-se Praia Grande, no litoral de São Paulo, que investe R$ 572,87 por habitante - o maior valor per capita entre as cidades analisadas.
Essa disparidade nos investimentos municipais reflete os diferentes desafios e prioridades das administrações locais, além das desigualdades regionais que ainda persistem no acesso a serviços básicos de saneamento em todo o território nacional.



