TCE aponta falhas em contrato para duplicação da Ponte Siqueira Campos em Palmas
Falhas em contrato de ponte em Palmas apontadas pelo TCE

TCE aponta falhas em contrato do governo para duplicação de ponte em Palmas

O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE) identificou uma série de irregularidades no processo de contratação das obras de requalificação e duplicação da Ponte Siqueira Campos, uma das principais vias de acesso à capital Palmas. A análise técnica realizada pelo órgão de controle apontou falhas no planejamento da licitação, levantando questionamentos sobre a transparência e legalidade do procedimento.

Andamento das obras e impacto no trânsito

Os serviços de requalificação da Ponte Siqueira Campos completaram sete meses de execução, com 34% do projeto já concluído segundo a Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto). A obra, orçada em R$ 98 milhões, prevê a ampliação das faixas para veículos, reestruturação do aterro e implantação de passarelas metálicas para pedestres e ciclistas.

A via de travessia sobre o lago de Palmas possui 8,10 quilômetros de extensão, sendo composta pela ponte principal de 1.042 metros, duas pontes menores chamadas vazantes e trechos de aterro. Todas essas estruturas passarão por adaptações para a duplicação do trecho que liga a capital à BR-153, passando pelo distrito de Luzimangues, em Porto Nacional.

Desde o início dos trabalhos em julho de 2025, foram realizadas diversas intervenções, incluindo a retirada das proteções metálicas, remoção das barreiras de concreto new Jersey das duas vazantes e troca do asfalto nas faixas principais. Entre dezembro e janeiro, os trabalhos se concentraram na estrutura principal da ponte, com preparação do local para receber as passarelas.

O trânsito na ponte vem sendo realizado no sistema pare e siga ao longo da semana. Nos primeiros meses de obra, longas filas de veículos se formaram causando demora e impactando a rotina dos usuários. Desde o início de janeiro de 2026, o tempo de espera diminuiu significativamente, reduzindo os transtornos para quem precisa fazer a travessia diariamente.

Irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas

Em dezembro de 2025, o TCE começou a acompanhar a contratação da obra, que está sendo executada por um consórcio formado pelas empresas EHL LTDA e RMG Engenharia. A análise técnica identificou diversas irregularidades, incluindo:

  • Critério de julgamento inadequado
  • Orçamento desatualizado
  • Inconsistências documentais e justificativas impróprias
  • Justificativa imprópria para contratação integrada
  • Deficiências no anteprojeto
  • Transferência abusiva de riscos

Diante das irregularidades, o TCE intimou agentes públicos e a Ageto para apresentarem justificativas e esclarecimentos. "Nós fizemos uma análise em cima do Estudo Técnico Preliminar e a documentação constante dentro do sistema e as documentações não estão conversando entre si", explicou o auditor de controle externo do TCE, José Ribama Maia Júnior.

O auditor complementou: "Está tendo várias divergências de informação. Em cima desse nosso parecer, estamos solicitando esses esclarecimentos para solicitar os projetos executivos, haja vista que o projeto já começou".

Defesa do governo estadual

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) se manifestou defendendo a legalidade do processo licitatório. Segundo o órgão, a reforma da ponte Siqueira Campos seguiu a nova lei de licitações (Lei nº 14.133/2021) e foi amplamente divulgada em todo país.

A PGE afirmou que o edital ficou aberto por mais de três meses e oito empresas participaram da disputa. O governo estadual argumenta que a obra está sendo executada de forma regular e que o critério usado para escolher a empresa foi o maior desconto no valor final, o que ajudaria a dar mais transparência e evitar problemas no orçamento.

Segundo a defesa do estado, a utilização de referências de orçamento com mais de seis meses não afetou a disputa e não causou prejuízo aos cofres públicos. A contratação na modalidade integrada, conforme argumentado, ajuda a reduzir riscos e a necessidade de aditivos contratuais.

A PGE finalizou afirmando que os questionamentos do TCE serão respondidos no âmbito institucional próprio e que não há indícios de prejuízos aos cofres públicos até o momento.

Detalhes do projeto e previsões

A ordem de serviço para as obras foi assinada em 6 de junho de 2025, com data de término prevista para 15 de setembro de 2028. O projeto prevê uma reestruturação completa do aterro com retirada do alambrado para pedestres e adaptação das faixas para ciclistas e pedestres.

No caso da ponte principal, as passarelas para pedestres e ciclistas serão feitas de estruturas metálicas e fixadas nas laterais. Segundo o projeto, o aterro suportará as quatro pistas veiculares e também as passagens para pedestres e ciclistas, assim como as vazantes.

A Ageto informou que as obras seguem em ritmo acelerado e dentro do cronograma estabelecido. Até o momento, já foram finalizados os serviços de execução do colchão drenante e a recuperação do pavimento asfáltico. Atualmente, estão em execução os serviços de manutenção de talude, drenagem, remoção do guarda-rodas e início da construção da estrutura da ciclopassarela.

A agência reforçou que segue acompanhando e fiscalizando todas as etapas para garantir segurança, qualidade e melhoria da mobilidade urbana na região.