Sexta-feira 13: O Ano com Três Dias de Azar e a História por Trás da Superstição
Para os supersticiosos, 2025 apresenta um cenário particularmente desafiador: três sextas-feiras 13 estão marcadas no calendário. A primeira ocorre em 13 de fevereiro, seguida por 13 de março e, finalmente, 13 de novembro. Essa frequência incomum é determinada pelo dia da semana em que o ano começa, resultando normalmente em apenas um ou dois desses dias considerados azarentos. No entanto, este ano se destaca por registrar um número maior, despertando a atenção tanto de crentes quanto de céticos.
Um Dia de Azar em Pleno Carnaval
A sexta-feira 13 de fevereiro é especialmente simbólica, pois coincide com o período do Carnaval, uma festa tradicionalmente associada à alegria e à celebração. Além disso, em alguns países, esta data também marca a véspera do Dia dos Namorados, criando um contraste intrigante entre a suposta má sorte e a felicidade dos apaixonados. As interpretações sobre o significado desse dia são ilimitadas, variando da fobia à completa indiferença.
Muitos consideram exagerado o alvoroço em torno da sexta-feira 13. Um ditado popular reflete essa atitude: "Não me importa que seja sexta-feira 13. O importante é que finalmente é sexta-feira". Contudo, uma pesquisa do instituto de opinião YouGov revela que aproximadamente uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens na Alemanha sentem certa apreensão diante da data. Entre os entrevistados, 39% das mulheres e 21% dos homens se consideram "supersticiosos" ou "bastante supersticiosos".
Consequências Práticas da Superstição
Essa crença tem impactos tangíveis no cotidiano. Por exemplo:
- Hotéis frequentemente carecem de quartos com o número 13, omitindo essa numeração.
- Em aviões, a fileira correspondente ao número 13 é comumente suprimida para evitar associações negativas.
Apesar dos temores, as sextas-feiras 13 podem ser melhores do que sua reputação sugere. Estatísticos da seguradora alemã R+V garantem que essa data não é mais perigosa do que outros dias úteis. "Pelo contrário: na verdade há menos acidentes, tanto envolvendo seguros de automóvel quanto de danos materiais", afirmam os especialistas.
Estatísticas e Realidade
Já a seguradora de automóveis Verti calculou que as sextas-feiras, em geral, são os dias da semana com maior probabilidade de sinistros, registrando 16,7% das ocorrências. No entanto, a empresa ressalta que o leve aumento observado nas poucas sextas-feiras que caem no dia 13 não é estatisticamente significativo. Isso sugere que o medo pode ser mais cultural do que baseado em fatos concretos.
Eventos Históricos e Coincidências
Certamente, não faltam eventos para alimentar os temores dos parascavedecatriafóbicos, pessoas com medo patológico da sexta-feira 13. Alguns exemplos marcantes incluem:
- Em 13 de janeiro de 2017, a tempestade Egon atingiu a Alemanha, causando três vezes mais danos que o habitual.
- Na sexta-feira 13 de janeiro de 2012, o navio de cruzeiro Costa Concordia colidiu com uma rocha.
- Em 13 de setembro de 1940, o Palácio de Buckingham foi atingido por bombas alemãs.
- Em outubro de 1947, o rei Filipe 4° da França iniciou a destruição dos Cavaleiros Templários numa sexta-feira 13.
Coincidências notáveis também surgem em contextos como a loteria. Em 9 de outubro de 1955, o número 13 foi o primeiro sorteado na nova loteria "6 de 49". Curiosamente, desde então, é o que menos vezes apareceu, alimentando ainda mais a aura de mistério.
Origens Culturais e Históricas
Gunther Hirschfelder, antropólogo cultural de Regensburg, descobriu que a sexta-feira 13 só foi estilizada como um dia de má sorte nos últimos 70 anos. Segundo ele, a ideia resulta de uma mistura de diversos mitos. O número 12 desempenhou um papel central nas primeiras civilizações avançadas:
- Cada dia é dividido em dois períodos de doze horas.
- Cada ano tem doze meses.
O treze, por sua vez, ultrapassa o sistema de base 12 e, por isso, tornou-se associado ao azar.
Influências Religiosas e Modernas
No catolicismo, Judas transformou o 13 em um número maligno, pois treze pessoas estavam presentes na Última Ceia, e ele foi o traidor de Jesus. Por muito tempo, o 13 foi conhecido popularmente como "a dúzia do diabo". Quanto aos dias da semana, na Antiguidade a sexta-feira era considerada o dia da deusa do amor, Afrodite, mas também marcou a crucificação de Jesus, tornando-se um dia de jejum e luto.
Os primeiros relatos sobre a influência funesta da sexta-feira 13 surgiram na década de 1950, sempre com referência aos Estados Unidos. Suas origens nos EUA remontam ao século 19, quando um jornalista associou as oscilações do mercado de ouro americano à data. "Quem se dedica a investigar esse simbolismo sempre encontrará alguma coisa", afirma Hirschfelder.
O pós-modernismo busca indicadores que estruturam a vida, e a sexta-feira 13 foi introduzida na Alemanha a partir dos Estados Unidos, assim como o Dia das Mães e o Halloween. Na sociedade atual, amante da diversão, essas noções supersticiosas já não são levadas tão a sério. A sexta-feira 13 é, antes, um "flerte não totalmente sério com a má sorte", conclui Hirschfelder.