Buquês de dinheiro viram moda no Valentine's Day e geram alerta econômico no Quênia
Enquanto o Brasil se prepara para o Carnaval, grande parte do mundo celebra neste sábado, 14 de fevereiro, o Valentine's Day, data dedicada ao amor e aos relacionamentos em países da Europa, África e Estados Unidos. No Brasil, o equivalente, o Dia dos Namorados, é comemorado em 12 de junho, mas fora do calendário nacional, o 14 de fevereiro movimenta fortemente o comércio e, este ano, trouxe uma tendência inusitada que se transformou em debate econômico: buquês feitos com notas de dinheiro.
Prática substitui flores tradicionais por cédulas moldadas
A prática inovadora substitui as flores tradicionais por cédulas de dinheiro que são dobradas, enroladas ou cuidadosamente moldadas em formato de pétalas, criando arranjos únicos e chamativos. Esses buquês, que têm sido amplamente divulgados em vídeos nas redes sociais, acumulam milhões de visualizações e variam desde pequenas quantias até valores mais elevados, sendo vendidos como um presente que combina romantismo e utilidade prática.
No entanto, essa moda não passou despercebida pelas autoridades monetárias, especialmente no Quênia, onde o Banco Central do país emitiu um comunicado oficial alertando sobre os riscos econômicos e legais envolvidos nessa prática crescente.
Banco Central do Quênia emite alerta contra danos às cédulas
Em um comunicado detalhado, o Central Bank of Kenya (CBK) expressou preocupação com o aumento da tendência de usar cédulas do xelim queniano para fins decorativos e comemorativos, incluindo a preparação de buquês de dinheiro, exibições ornamentais e arranjos semelhantes. O banco descreveu como as notas estão sendo manipuladas:
- Dobradas e enroladas
- Coladas e presas com fita adesiva
- Grampeadas e perfuradas
- Fixadas com materiais adesivos
Segundo o CBK, essas práticas comprometem a integridade das notas e as tornam inadequadas para circulação, interferindo no funcionamento de caixas eletrônicos e máquinas de contagem e triagem. Além disso, antecipam a retirada das notas de circulação, gerando custos adicionais significativos para o sistema financeiro do país.
Diferença entre gesto e formato: banco não se opõe a presentes em dinheiro
O Banco Central do Quênia fez questão de diferenciar o gesto de presentear com dinheiro do formato específico dos buquês. Em seu comunicado, afirmou: "Embora o Banco Central do Quênia não se oponha ao uso de dinheiro como presente, tal uso não deve envolver qualquer ação que altere, danifique ou desfigure as cédulas".
A autoridade monetária também citou a legislação local, destacando que a Seção 367 do Código Penal do Quênia estabelece que qualquer pessoa que deliberadamente desfigure, mutile ou de qualquer forma prejudique uma cédula emitida por autoridade legal comete uma infração. Na prática, isso significa que a mutilação intencional de notas pode resultar em responsabilização legal, com possíveis penalidades para os envolvidos.
Impacto da tendência nas redes sociais e no comércio
Os vídeos que mostram a criação desses buquês de dinheiro continuam a ganhar popularidade nas plataformas digitais, alimentando a discussão sobre a linha tênue entre criatividade e conformidade legal. Enquanto alguns defendem a inovação como uma forma moderna de expressar afeto, outros apontam para os riscos econômicos e o desperdício de recursos que essa prática pode representar.
Essa tendência destaca como as celebrações globais, como o Valentine's Day, podem influenciar comportamentos de consumo e gerar debates que transcendem fronteiras, envolvendo questões de economia, legislação e cultura popular.