Bailarino transforma quadra pública em palco e inspira crianças em Porto Feliz
As piruetas precisas e os giros hipnotizantes de Luís Gobbi, um bailarino de 28 anos, têm chamado atenção não apenas nas redes sociais, mas também na quadra pública do Jardim Vante, em Porto Feliz, interior de São Paulo. O que começou como um retorno pessoal à dança após anos de afastamento devido à depressão, transformou-se em um fenômeno viral que ultrapassou quatro milhões de visualizações em um único vídeo.
Do quarto à quadra: a jornada de superação
Luís Gobbi descobriu sua paixão pela dança ainda na infância, começando formalmente aos 11 anos em um projeto social da Escola Municipal "Profª Vilma Fernandes Antônio". Sua trajetória, no entanto, foi marcada por altos e baixos significativos. Após conquistar primeiros lugares em competições nacionais, o bailarino enfrentou um período de solidão e depressão aos 21 anos, chegando a recusar uma bolsa de estudos para uma companhia em Barcelona, na Espanha.
"Com a depressão, eu achava que tinha perdido o amor pela dança, então eu sumi desse universo. Não queria que as pessoas soubessem de mim, mas eu ainda dançava sozinho no meu quarto", revela Luís sobre os anos entre 2020 e 2024, quando praticamente ninguém o via dançar.
O vídeo que conquistou milhões
A virada aconteceu quando uma amiga o convidou para retornar, sem compromissos, a uma academia de dança. Motivado pela felicidade de reencontrar sua paixão, Luís começou a gravar seus ensaios na quadra do Jardim Vante para corrigir seus movimentos. Foi nesse espaço público que surgiu o momento que viralizou: enquanto executava uma coreografia, um menino ao fundo tentava imitar seus rodopios, criando uma cena espontânea que cativou a internet.
"No caso do menino, eu não tinha percebido que ele estava ali e só tinha visto a mãe dele rindo da situação. É legal que, na quadra, eu senti que criei um espaço seguro para dançar. Eu percebi o quanto eu consigo me expressar e inspirar. Isso mostra como a dança é um sentimento", reflete o bailarino sobre a experiência.
Dança como instrumento de transformação social
Além das crianças que começaram a brincar de imitá-lo, Luís também ensinou alguns passos para meninas do bairro, percebendo o potencial transformador da dança na comunidade. Agora, com o foco renovado em sua carreira, ele planeja não apenas aprimorar suas técnicas e buscar oportunidades em grandes companhias de balé, mas também retribuir à comunidade que o acolheu.
Seu projeto futuro inclui a criação de uma iniciativa social no Jardim Vante, oferecendo oportunidades de dança para moradores do bairro. "Eu queria dar essa oportunidade aqui, para ter uma saída da linha natural que a gente sabe que a realidade dos bairros periféricos às vezes nos joga. Meu sonho era que a gente voltasse a ter projetos de dança e um teatro para nos apresentarmos na cidade", compartilha Luís, demonstrando como sua arte transcende o palco e se torna ferramenta de inclusão e expressão.
Uma história que começou na incubadora
A conexão de Luís com a dança parece ter raízes ainda mais profundas. Nascido prematuro de oito meses, ele relembra uma história familiar curiosa: "Minha mãe conta que, na incubadora, eu me virei e o médico disse para ela: 'Esse menino vai ser bailarino'". Das coreografias de axé que decorava da televisão na infância aos giros precisos do balé clássico, sua trajetória ilustra como a arte pode ser caminho de resiliência e conexão humana.