São Vicente Faz História com Primeiro Censo de Terreiros de Matriz Africana
São Vicente faz 1º censo de terreiros do país

Pois é, gente. São Vicente resolveu dar um passo que, pasmem, nenhuma outra cidade do país tinha dado antes. A prefeitura oficializou um decreto simplesmente histórico: o primeiro censo municipal exclusivamente dedicado a mapear os terreiros de religiões de matriz africana. Não é pouca coisa.

A iniciativa partiu da Secretaria de Cultura e, olha, a motivação é das mais nobres. A ideia não é só contar quantos terreiros existem por aquelas bandas da Baixada Santista. Vai muito além disso. O que se quer, de verdade, é reconhecer a importância cultural imensa desses espaços sagrados e, a partir daí, criar políticas públicas que de fato os protejam e os fortaleçam.

Imagine a cena: um mapeamento minucioso de cada casa de axé, cada roça de candomblé, cada tenda de umbanda. Eles querem saber tudo. A localização, a quantidade de frequentadores, as atividades que desenvolvem, suas necessidades mais prementes. Tudo isso para o poder público poder agir de forma direcionada, oferecendo suporte onde realmente é necessário.

Um Marco Contra a Intolerância

Não é segredo para ninguém que a intolerância religiosa ainda é uma chaga dolorida no Brasil. Terreiros são alvos constantes de discriminação e até de violência física. Nesse contexto, a ação de São Vicente soa como um grito de resistência. Um recado claro de que a cultura e a fé de origem africana merecem respeito e lugar de destaque.

O decreto não veio do nada. Ele é fruto de uma conversa antiga com lideranças religiosas, que há tempos clamavam por visibilidade e por ações concretas. É a administração pública admitindo, finalmente, que precisa correr atrás do prejuízo histórico. E que bela maneira de fazer isso, hein?

O processo de cadastramento será voluntário. Nada de imposição. As lideranças que quiserem fazer parte desse marco vão poder se cadastrar através de um formulário físico ou online. A prefeitura promete que os dados serão tratados com total sigilo, um cuidado essencial para ganhar a confiança da comunidade.

Um Futuro com Mais Respeito

O que se espera, no fim das contas? Bom, a curto prazo, ter um diagnóstico real da situação. Saber quantos são, onde estão e como vivem esses espaços de fé e cultura. A médio e longo prazo, a coisa fica ainda mais interessante.

Com informações sólidas em mãos, a prefeitura pode, por exemplo:

  • Criar programas de fomento específicos para esses terreiros;
  • Elaborar políticas de combate à intolerância religiosa que sejam efetivas;
  • Incluir a história e a importância dessas religiões no currículo das escolas municipais;
  • Fortalecer o turismo religioso de base comunitária.

É um daquivos casos em que um simples cadastro pode abrir portas para uma transformação social profunda. São Vicente está, literalmente, escrevendo uma nova página na história do respeito à diversidade religiosa no Brasil. Tomara que outras cidades peguem carona nessa ideia.