Terreiro de Umbanda em Santarém promove roda de conversa sobre liberdade religiosa e combate ao preconceito
Terreiro em Santarém abre portas para diálogo sobre liberdade religiosa

Neste sábado, dia 7 de fevereiro de 2026, o Terreiro de Umbanda São Pedro, localizado na cidade de Santarém, no oeste do estado do Pará, abrirá suas portas para a comunidade em geral com uma iniciativa especial. A roda de conversa intitulada "O Terreiro Ensina: entre o sagrado e o direito de crer" terá início às 16 horas, promovendo um diálogo sensível e necessário sobre temas cruciais para a sociedade contemporânea.

Um evento para desmistificar e educar

A iniciativa é liderada pela pesquisadora e umbandista Luciana Guedes, que atualmente cursa mestrado em Ciências da Sociedade pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Com cinco anos de integração ao terreiro, Luciana busca desmistificar a visão externa sobre as religiões afrobrasileiras, destacando a importância desses espaços como territórios de memória e saber.

Ela enfatiza que "o terreiro é um território de memória e um espaço legítimo de saber", onde se cultivam o cuidado coletivo e o respeito às diferenças. Em um contexto nacional marcado pelo racismo histórico, o "direito de crer" não é apenas uma garantia constitucional, mas uma luta diária pela sobrevivência física e espiritual das comunidades tradicionais.

Parcerias acadêmicas e apoio institucional

O evento conta com o apoio estratégico do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Sociedade (PPGCS) da Ufopa. Essa colaboração reforça a ponte entre a produção científica acadêmica e a vivência prática das comunidades tradicionais, promovendo um intercâmbio valioso de conhecimentos.

Atualmente, o Terreiro São Pedro sedia duas pesquisas de mestrado que visam fortalecer o diálogo entre a universidade e o povo de terreiro. Esses estudos focam em ações educativas contra o racismo religioso e no reconhecimento da humanidade do outro através da convivência respeitosa.

Acolhimento e cosmologias afroindígenas

O sacerdote João Paulo Obarassy, anfitrião da casa, destaca que abrir o terreiro para o público externo é uma forma de reafirmar a identidade e a acolhida característica da região. Ele explica que "nossa casa sempre foi um lugar de cura e resistência", e que receber visitantes é um ato necessário para desarmar o preconceito.

Segundo o sacerdote, os saberes que entrelaçam as cosmologias afroindígenas formam a base do terreiro, e compartilhá-los demonstra que o sagrado se constrói no respeito e na convivência com a pluralidade. Essa abordagem enfatiza a importância da oralidade como ferramenta pedagógica e de preservação cultural.

Detalhes práticos e recomendações

O evento é gratuito e aberto a pessoas de todas as crenças, incluindo aquelas sem religião, oferecendo um certificado de 3 horas aos participantes. Em respeito ao solo sagrado do terreiro, a organização recomenda que os visitantes utilizem roupas condignas, evitando peças curtas, decotadas ou em tons muito escuros.

Os interessados podem comparecer ao local na Avenida Presidente Vargas, número 1754, entre as ruas Silvino Pinto e Moraes Sarmento, no bairro Santa Clara, em Santarém. A roda de conversa representa uma oportunidade única para engajamento comunitário e aprendizado sobre diversidade religiosa.