Ramadã transforma rotina noturna de Foz do Iguaçu com restaurantes abertos na madrugada
O início do Ramadã, o nono e mais sagrado mês do calendário islâmico, trouxe uma mudança significativa na rotina de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A cidade, que abriga a segunda maior comunidade islâmica do Brasil, viu restaurantes e estabelecimentos de culinária oriental ajustarem seus horários para atender aos fiéis durante o período de jejum, que vai do amanhecer ao pôr do sol.
Adaptação comercial para atender à demanda religiosa
Durante o Ramadã, os muçulmanos praticam o jejum completo, abstendo-se de comida, bebida e fumo durante as horas de luz do dia. A principal refeição ocorre à noite, no momento da quebra do jejum, conhecido como iftar. Essa dinâmica transfere encontros sociais e a movimentação econômica para a madrugada, exigindo adaptações por parte do comércio local.
O comerciante Abdul Jalil, proprietário de um restaurante especializado em esfirras e pratos árabes, explica que seu estabelecimento funciona das 23h às 3h nos dias de semana durante este período sagrado. Aos fins de semana, o atendimento se estende das 22h às 5h. "A gente precisa comer antes de dormir porque precisamos aguentar cerca de 14 horas de jejum. Tem pessoas que vêm aqui comer esfirras 4 horas da madrugada", relata Abdul.
Segundo estimativas do próprio comerciante, mais de 20 restaurantes espalhados pela cidade adotaram mudanças similares nos horários de funcionamento, abrindo as portas por volta das 23h e permanecendo abertos até o início da manhã.
Significado espiritual do Ramadã
Além do impacto no comércio, o Ramadã possui um profundo significado religioso para a comunidade islâmica. Este mês marca a revelação dos primeiros versículos do Alcorão ao profeta Muhammad, há mais de 1.400 anos. O jejum é considerado um dos cinco pilares do Islã, simbolizando fé, disciplina e autocontrole.
O sheikh Oussama El Zahed, líder religioso da Mesquita de Foz do Iguaçu, destaca que "é um mês de reflexão, de fortalecimento espiritual e de autocontrole. O jejum ensina paciência, empatia e respeito". A prática não se limita à abstinência alimentar, mas envolve também orações intensificadas, caridade e renovação dos laços comunitários.
Contexto da comunidade islâmica em Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu se destaca nacionalmente por abrigar uma expressiva comunidade muçulmana, a segunda maior do Brasil. Esta presença influencia não apenas aspectos religiosos, mas também culturais e econômicos da região. A mesquita local, ponto central das atividades religiosas, tradicionalmente realiza cerimônias e eventos especiais durante o Ramadã, incluindo shows de luzes que marcam o início do período sagrado.
A adaptação dos horários comerciais reflete a integração desta comunidade ao cotidiano da cidade, demonstrando como tradições religiosas moldam dinâmicas urbanas e econômicas. Enquanto os fiéis dedicam-se à espiritualidade e ao autocontrole, o comércio local se reinventa para servir às necessidades específicas deste período, criando uma rotina noturna única em Foz do Iguaçu.