Ex-Tiazinha Suzana Alves: de musa do Carnaval a crítica da folia após conversão
Ex-Tiazinha: de musa do Carnaval a crítica após conversão

Da sensualidade na avenida à busca pela paz espiritual: a transformação de Suzana Alves

Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, Suzana Alves conquistou o país como a musa sexy Tiazinha, personagem que marcou presença em programas de televisão e se tornou um ícone do Carnaval brasileiro. Com sua máscara e chicote característicos, ela desfilou como rainha de bateria da escola de samba Tradição em 1999, causando furor na Sapucaí e consolidando sua imagem pública.

A ilusão do brilho momentâneo e os pesadelos do passado

Nas últimas décadas, no entanto, a atriz e apresentadora passou por uma profunda transformação pessoal. Convertida ao cristianismo, Suzana Alves agora renega – ou, em suas próprias palavras, "perdoa" – seu passado, criticando a suposta "ilusão" da folia carnavalesca. Em um vídeo recente no Instagram, ela relembrou sua experiência na avenida com um tom de reflexão espiritual.

"É intenso, magnético, sedutor ser vitrine, ser o centro. Sim, é gostoso. As coisas da carne mexem com o nosso desejo e a gente gosta desse prazer. O ego se alimenta disso. A carne se fortalece. Você quase se sente adorada, mas nem todo arrepio vem de onde deveria vir", afirmou a ex-Tiazinha.

O contraste entre o aplauso passageiro e a paz duradoura

Em sua publicação, Suzana Alves desenvolveu ainda mais seu pensamento sobre a natureza enganosa da fama efêmera. "O mal se apresenta prazeroso, oferecendo brilho, aplauso e a sensação de poder. Mas eu aprendi algo profundo nesse lugar: o que exalta o ego pode sufocar a alma. Quantas noites vivendo de pesadelos na época", relembrou ela, destacando o custo emocional de sua fase de maior exposição pública.

A antiga musa da televisão citou inclusive passagens bíblicas para fundamentar sua crítica aos caminhos que considera ilusórios. "Eu conheço o auge. E hoje eu posso dizer com consciência espiritual. Porque, mais que alimentar minha carne, eu venho, nesses 21 anos, buscando o equilíbrio e o alimento espiritual", explicou Suzana.

A escolha consciente por uma vida "em conserva"

Em sua conclusão, a ex-Tiazinha fez uma declaração poderosa sobre suas prioridades atuais. "O aplauso da Avenida passa, assim como os prazeres momentâneos. E, entre o frio na barriga do palco e a paz no espírito, eu escolho a paz, eu escolho ser 'antiquada'. Eu escolho viver 'em conserva'", finalizou ela, fazendo referência à polêmica crítica da Acadêmicos de Niterói ao conservadorismo.

Em publicações anteriores, Suzana Alves já havia compartilhado uma montagem simbólica onde a Suzana de hoje aparece abraçada com a Tiazinha do passado. "Eu abracei o meu passado... e encontrei o propósito que Deus escondia nele. Abraçar quer dizer perdoar para quem não entendeu", escreveu ela, demonstrando que seu processo de transformação envolve reconciliação com sua própria história.

A trajetória de Suzana Alves ilustra um fenômeno cultural significativo no Brasil: a transformação de figuras públicas que migram do universo do entretenimento popular para uma vida dedicada à espiritualidade, reavaliando criticamente seu próprio legado na cultura nacional.