MC Meno K: do trauma de nove tiros ao topo do Spotify Brasil com apenas 19 anos
MC Meno K: de nove tiros ao topo do Spotify Brasil aos 19 anos

MC Meno K: do trauma de nove tiros ao topo do Spotify Brasil com apenas 19 anos

Na lista de hits atuais do Brasil, MC Meno K é uma presença constante e marcante. O cantor, com apenas 19 anos, já figura entre os artistas mais ouvidos no Spotify Brasil, demonstrando uma ascensão rápida e impactante no cenário musical nacional. Suas músicas, como "Posso Até Não Te Dar Flores", "Jetski", "Gauchinha" e "Amo Minha Favela", ecoam em playlists e rádios, consolidando-o como um verdadeiro hitmaker da nova geração.

As origens em Porto Alegre e o início com hinos de time

MC Meno K, cujo nome real é Kauan Soares, nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A capital gaúcha, segundo ele, tinha uma cena do funk que passava por um momento de menor movimento e com recursos limitados. "Ficou um tempo sem nenhum artista, sem ninguém se mover assim pelo funk de lá. Até por isso tinha muito pouco estúdio lá. A gente canetava ainda no caderno e costumava muito gravar prévia de música, na palma da mão", relembra o artista.

Essas dificuldades, no entanto, não o impediram de seguir seu sonho. Aos 13 anos, com o cabelo cortado na régua e vestindo a camisa do Grêmio, ele gravou sua primeira música em estúdio: "Camisa do Grêmio", em 2021. A faixa, um hino não-oficial para o time, não foi uma estratégia calculada, mas sim uma expressão genuína de paixão. "Não foi estratégia, foi do coração. Na época, tinha bastante música até que o pessoal do Rio fazia pro Flamengo. Aí eu pensei: 'Mano, sou daqui, né? Eu vou botar a camisa do Grêmio'", explica Meno K.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O sucesso foi imediato entre os torcedores, que compartilhavam a música no status do WhatsApp. O timbre grave de sua voz, que sugeria uma idade mais avançada, contrastava com sua juventude. Meses depois, ele lançou uma versão para o Flamengo, que também foi abraçada pelos torcedores e até tocada em estádios, incluindo na vitória do time na Libertadores de 2022. Jogadores como Gabigol e Arrascaeta demonstraram apoio, solidificando a relevância desses hinos.

O atentado que poderia ter acabado com tudo

Em 2022, MC Meno K enfrentou um episódio traumático que poderia ter interrompido sua carreira precocemente. Após um show em uma casa noturna em Porto Alegre, um suposto fã pediu uma foto. Ao atender o pedido, Meno foi vítima de um atentado, sendo atingido por nove tiros. Ele precisou passar por uma cirurgia para retirar um projétil e enfrentou um longo processo de recuperação.

O susto foi enorme, mas, surpreendentemente, o cantor encontrou força na adversidade. "Eu fiquei, querendo ou não, com muito trauma na mente... O mano fingindo que era meu fã... foi o que me deu tiro. Mas para mim foi um gás. Assim, eu sobrevivi. Poucos no meu lugar sobreviveram. Eu fiz show depois de um mês, alguns meses de recuperação, já tava fazendo show... Mancando mesmo", relata com resiliência. Esse evento, em vez de afastá-lo dos palcos, pareceu alimentar sua determinação.

A retomada e a consolidação no topo das paradas

Após o sucesso inicial com as músicas de time, Meno K passou por um período de estagnação. "Fiquei 'congelado, parado na geladeira' por uns três ou quatro anos. Fiquei sem estourar muita música e parei de fazer muito show", conta. A virada decisiva ocorreu em 2025, com o lançamento de "Famosinha", uma parceria com DJ Caio Veira e MC Rodrigo do CN. A faixa alcançou o topo do Spotify Brasil, recolocando o artista em evidência.

Outro marco importante foi sua entrada na Bololô Records, produtora liderada por MC Ryan SP. Dessa colaboração, surgiu "Posso Até Não Te Dar Flores", do DJ Japa NK, que também conta com MC Jacaré e DJ Davi Dog Dog. A música se tornou um fenômeno global, chegando a figurar entre as oito mais ouvidas no Spotify mundial. "Posso Até Não Te Dar Flores" só perdeu a liderança nas paradas brasileiras em fevereiro, quando foi superada por "Jetski", de Pedro Sampaio, Melody e o próprio MC Meno K.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

"Jetski" representou uma expansão de seu público, ao mesclar elementos pop com o funk. "'Jetski' é pop, e ajudou muito também a ir para esse tipo de nível. Quando lançou, eu pensava 'é hit' por causa da parte da Melody. Mas eu vi que, mano, o pessoal abraçou muito minha parte também. Saiu do nicho... saiu de um estilo só", reflete o cantor.

O futuro promissor e as próximas colaborações

Com a carreira em ascensão, MC Meno K já vislumbra novos horizontes. Ele adianta que estão por vir colaborações com grandes nomes da música brasileira, como Dennis, Luísa Sonza e Ludmilla. "Tem muita coisa ainda para sair, tá ligado? Muita coisa braba mesmo para sair ainda em 2026. A gente pode estar lá em cima no topo, no gás, a gente não para, mano", projeta com entusiasmo.

A trajetória de MC Meno K é um testemunho de superação e talento. De um jovem que gravava músicas batendo palma em Porto Alegre a um dos artistas mais ouvidos do país, sua história inspira e demonstra que, mesmo diante de traumas profundos, é possível alcançar o sucesso com perseverança e paixão pela música.