Mac DeMarco retorna ao Brasil com turnê e disco introspectivo 'Guitar' em 2025
Mac DeMarco, o icônico músico canadense, não é mais aquele roqueiro indie conhecido por shows extravagantes e comportamentos descontraídos. Aos 35 anos, ele se autodenomina um "homem velho", vivendo de forma discreta em uma área rural do Canadá, longe dos holofotes e com pouca presença nas redes sociais. Essa transformação pessoal se reflete diretamente em seu mais recente trabalho, o álbum "Guitar", lançado em 2025, que apresenta um som mais caseiro, orgânico e profundamente introspectivo.
Turnê brasileira com foco em cidades menos visitadas
Entre os dias 3 e 16 de abril de 2025, Mac DeMarco realizará uma extensa turnê pelo Brasil, passando por oito cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Em entrevista exclusiva, o artista expressou especial satisfação em incluir destinos que costumam receber menos atenção de artistas internacionais. "Eu venho de um lugar no Canadá onde as bandas demoravam a chegar, então adoro visitar esses locais. É uma aventura para nós. Esses são os shows que você realmente lembra, não a milésima apresentação em Nova York", afirmou DeMarco.
Esta será sua primeira volta ao país desde sua participação no Lollapalooza em 2018, e o músico demonstrou grande curiosidade sobre a recepção do público brasileiro. Durante a conversa, ele respondeu com bom humor a uma curiosidade local: "Fique sabendo que acabei de sair do banho. Ao contrário do que alguns pensam, não cheiro mal. Antigamente as pessoas achavam isso, mas hoje só cheiro a cigarro. Meus tênis podem estar surrados, mas garanto que não cheiram mal", brincou, referindo-se a uma inscrição humorística nas paredes da UFMG.
Evolução dos shows: do caos à introspecção
Mac DeMarco reconhece que seus espetáculos já foram marcados por uma energia caótica, com crowdsurfing, itens arremessados ao palco e interações irreverentes. Ele relembra apresentações passadas onde essa atmosfera festeira contrastava com letras melancólicas sobre solidão e reflexões existenciais. "Minhas músicas são relaxantes, mas carregam um tom perturbador subliminar. Talvez essa colisão seja suficiente para enlouquecer as pessoas. Antigamente, nós trazíamos a festa e o público respondia", explicou.
No entanto, para a turnê brasileira de 2025, o artista garante uma abordagem diferente. "Os shows que vocês verão no Brasil não são mais assim. Não há tanto crowd surfing. Estou focando muito mais nas minhas músicas do que em fazer covers atualmente", destacou. Essa mudança é significativa, considerando sua reputação por interpretações divertidas de clássicos, como quando brincou com músicas do Red Hot Chili Peppers durante o Lollapalooza 2018.
Memórias afetivas e amizades musicais
DeMarco guarda lembranças carinhosas de sua última passagem pelo Brasil, especialmente do sanduíche de pernil da lanchonete Estadão em São Paulo, que ele mencionou em shows e entrevistas. "Voltarei ao Estadão o máximo possível para comer aquele sanduíche", prometeu. Além das experiências gastronômicas, essa viagem pela América do Sul em 2018 foi marcada por encontros musicais profundos.
Foi durante essa turnê que Mac DeMarco conheceu e se tornou grande amigo do rapper Mac Miller, com quem compartilhou estúdios e momentos criativos. "Foi um privilégio conhecê-lo. Acabamos em um estúdio de gravação juntos", recordou. A morte precoce de Miller em setembro de 2018 impactou profundamente DeMarco, que o homenageou na música "Heart to Heart".
Transformação pessoal e nova fase artística
O mesmo Mac DeMarco que entrava no palco com uma garrafa de cerveja agora está sóbrio há anos, preferindo um chazinho durante as entrevistas. Essa mudança reflete uma maturidade que vai além da imagem pública. "Acho que muitas emoções eram abafadas pelo abuso de substâncias no passado. Enfrentar o cansaço das viagens e o palco 'sem filtro' pode ser insano às vezes. Acordar sem ressaca e ser apenas um ser humano na turnê é legal, mesmo que eu sinta um 'novo estilo de dor'. É bom estar sentindo algo, seja bom ou doloroso", confessou.
Essa evolução o levou a ser chamado pela revista New Yorker como "o último rockstar indie", um título que ele recebe com modéstia. "Se eu sou um rockstar? Não sei sobre isso. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que não tenho ideia do que estou fazendo", refletiu. Com o álbum "Guitar" e a turnê pelo Brasil, Mac DeMarco consolida uma fase artística mais introspectiva e autêntica, provando que até os ícones festeiros amadurecem e encontram novas formas de expressão.



