João Gomes lança EP 'Trapzeiro ao vivo' com proposta ousada, mas fusão musical não se consolida
Na noite de quinta-feira, 19 de março, o cantor pernambucano João Gomes lançou o EP 'Trapzeiro ao vivo', um trabalho que já no título sugere uma mistura ambiciosa entre o trap, subgênero derivado do rap com características graves e sombrias, e o piseiro, uma variante acelerada do forró marcada pelo toque de teclados. No entanto, essa fusão prometida não se materializa de forma efetiva ao longo das cinco faixas do projeto, deixando os ouvintes com uma sensação de que não deu liga, não deu match.
Conteúdo e colaborações do EP
O EP 'Trapzeiro ao vivo' é composto por cinco faixas inéditas, extraídas do registro audiovisual do show 'Meu piseiro brasileiro', realizado por João Gomes em 26 de outubro de 2025. O evento atraiu um público estimado em 50 mil pessoas, que se aglomeraram em torno dos Arcos da Lapa, um cartão postal da zona central do Rio de Janeiro. O trabalho está repleto de convidados notáveis, incluindo:
- Os rappers cariocas BK e L7nnon na faixa de abertura 'Vinho, voz e violão'.
- O funkeiro MC Kevin O Chris na gravação de 'Ventilador'.
- MC Cabelinho, artista que transita entre funk e trap, presente nas faixas 'A pouco tempo' e 'Vou gritar que te amo'.
- O cantor pernambucano Luiz Lins, que participa de 'Eu tô bem', considerada a melhor faixa do EP por temperar o piseiro com a verborragia angustiada do rap.
Análise crítica do som
Ao longo do EP, o que se ouve é um forró mais adocicado, que mesmo turbinado com alguns beats, tangencia a maciez do xote romântico. A gravação de 'Vinho, voz e violão' exemplifica essa abordagem, juntando João Gomes com BK e L7nnon em uma atmosfera suave. A participação de Luiz Lins em 'Eu tô bem' destaca-se por adicionar uma camada de profundidade emocional, mas no geral, o projeto mantém João Gomes em uma confortável zona romântica, bem distante das sombras e intensidade típicas do trap.
Em resumo, 'Trapzeiro ao vivo' representa uma tentativa interessante de fusão musical, mas acaba por não concretizar a promessa inicial, resultando em um trabalho que, embora agradável, não explora plenamente as potencialidades da mistura proposta. O EP serve como um registro vivo de um momento significativo na carreira de João Gomes, mas deixa espaço para reflexões sobre a direção artística futura.



