Buhr lança o sétimo álbum solo de estúdio, 'Feixe de fogo', o primeiro disco da artista sem o prenome Karina
A cantora, compositora e instrumentista Buhr acaba de lançar seu sétimo álbum solo de estúdio, intitulado "Feixe de fogo". Este trabalho marca um momento significativo na carreira da artista, pois é o primeiro disco em que ela se apresenta sem o prenome Karina, alinhando-se com sua nova identidade como pessoa não-binária. O álbum foi disponibilizado ao público na última sexta-feira, 10 de abril, pelo selo paulistano Sound Department, após dois anos de gravações em dez estúdios diferentes localizados em cidades como Recife, São Paulo, Salvador, Fortaleza e Sobral.
Uma jornada musical intensa e urbana
"Feixe de fogo" mantém o pulso quente característico de trabalhos anteriores de Buhr, como "Selvática" (2015) e "Desmanche" (2019), reforçando sua assinatura única como compositora. Com onze músicas autorais, sendo dez compostas solitariamente pela artista, o álbum se destaca por explorar questões existenciais de uma artista em trânsito na selva das cidades. A faixa-título, "Feixe de fogo", abre o disco com versos como "Eu corro em cima da brasa acesa / No medo onde ninguém mergulha", acompanhada por guitarras incandescentes de Arto Lindsay, Fernando Catatau e Rami Freitas, criando um clima fervente que define o tom da obra.
A produção musical foi orquestrada por Buhr em parceria com o multi-instrumentista Rami Freitas, resultando em um som urbano e cru que reflete a vivência da artista. Em "Voaria", Buhr canta "Busco motivos nas ruas entupidas de carro / Esvaziadas de gente / Como quem procura raízes", em versos confessionais pontuados pelos metais orquestrados pelo maestro Ubiratan Marques. Já "Anzol" traz uma energia roqueira com uma poética altiva, como nos versos "Não me diga o que fazer com meu espaço / Ele se cria pela minha mão".
Diversidade sonora e colaborações especiais
O cancioneiro de "Feixe de fogo" extrapola rótulos e gêneros, mantendo a homogeneidade na potência dos timbres, da poética e do canto de Buhr. O álbum inclui desde faixas que esboçam DR, como "70 cigarros", gravada com a cantora trans Moon Kenzo, até um xote como "Oxê", que evoca o passado de Buhr nos grupos de maracatu Estrela Brilhante e Piaba de Ouro. Nesta última, Buhr toca triângulo e conta com a participação de Josyara e Negadeza, reforçando suas raízes percussivas.
Outras faixas notáveis incluem:
- "Chão frio", com guitarras rascantes de Edgard Scandurra e Régis Damasceno.
- "Ânsia", single que anunciou oficialmente o álbum em 25 de março.
- "Seilasse", com a guitarra climática de Arto Lindsay, que versa sobre amor em decomposição: "O amor feito um morto no meio da sala / Velamos o que fomos um dia".
Em "Motor de agonia", Buhr sintetiza "Meu coração é um motor em agonia", em uma faixa de paradoxal leveza sonora onde ela toca congas. O álbum se encerra com "Desmotivacional", composta e gravada com o conterrâneo baiano Russo Passapusso, que reflete sobre erros do passado sem culpa ou arrependimentos.
Identidade artística e impacto cultural
"Feixe de fogo" não é apenas um novo capítulo na discografia de Buhr, mas também uma expressão de sua evolução pessoal e artística. Ao abandonar o prenome Karina, a artista se alinha com uma identidade não-binária, trazendo autenticidade e profundidade ao seu trabalho. O disco mantém acesa a brasa criativa de Buhr, explorando o fluxo urbano com uma poética afiada que solta faíscas a cada verso. Com colaborações diversificadas e uma produção cuidadosa, o álbum se afirma como uma obra significativa na música brasileira contemporânea, reforçando o lugar de Buhr como uma das vozes mais originais e potentes da cena atual.



