O rapper canadense Drake e o streamer americano Adin Ross foram citados em uma ação civil coletiva que expõe um suposto esquema envolvendo extorsão, corrupção em jogos de azar e manipulação de números em plataformas de streaming. O processo, movido nos Estados Unidos, busca uma indenização de US$ 5 milhões das personalidades e da plataforma de cassino online Stake.
Acusações Centrais do Processo
A ação judicial, movida por duas mulheres do estado da Virgínia e obtida pelo portal Vulture, não traz acusações criminais, mas alega violações à Lei RICO (contra organizações criminosas) e normas de defesa do consumidor. O cerne da denúncia é que Drake e Adin Ross induziram consumidores a acreditar que o cassino online Stake era inofensivo, incentivando apostas.
O documento afirma que a Stake viola leis americanas ao vender "dinheiro fictício" para apostas, que posteriormente pode ser convertido em dinheiro real. A plataforma, sediada em Curaçao e banida de países como EUA e Reino Unido, opera nos Estados Unidos por meio de um braço local, alegando não permitir apostas com dinheiro real, apenas com tokens digitais conversíveis em criptomoedas.
Esquema de Apostas com Dinheiro da Casa
Uma das acusações mais graves é que Drake e Ross apostavam grandes somas em transmissões ao vivo com dinheiro fornecido secretamente pela própria Stake. "Embora Drake e Ross afirmassem estar apostando com seu próprio dinheiro, na verdade, ele foi fornecido pela casa", sustenta o processo. Essa prática daria uma falsa impressão de ganhos fáceis e estimularia a participação do público.
Além disso, a ação descreve um suposto sistema de "gorjetas" dentro da plataforma, caracterizado como um "transmissor de dinheiro totalmente desregulamentado". Esse mecanismo teria sido usado por Drake, Ross e um terceiro indivíduo, George Nguyen, para direcionar fundos a "fazendas de bots" na Austrália.
Manipulação em Plataformas de Streaming
O processo vai além das acusações relacionadas ao jogo. Alega que os recursos foram usados para manipular a popularidade de artistas no Spotify. George Nguyen teria utilizado o dinheiro para "fabricar popularidade, difamar concorrentes e executivos de gravadoras, e distorcer algoritmos de recomendação" na plataforma de música.
Esta não é a primeira vez que o nome de Drake surge em alegações de inflagem artificial de reproduções. Em novembro de 2025, uma ação coletiva separada acusou o Spotify de ignorar bilhões de reproduções fraudulentas do artista. Curiosamente, em 2024, o próprio Drake processou a Universal Music, o Spotify e a iHeartMedia por supostamente usarem bots para impulsionar a música "Not Like Us". O rapper posteriormente retirou as ações contra Spotify e Universal e fez um acordo extrajudicial com a iHeartMedia.
Respostas das Partes Envolvidas
Até o momento, Drake e Adin Ross não se manifestaram publicamente sobre a ação coletiva movida em janeiro de 2026. A Stake.us, por sua vez, emitiu uma nota classificando o processo como "sem sentido" e declarando que não está preocupada com a ação. A empresa também negou veementemente possuir "uma função de gorjeta que possa ser usada dessa forma", conforme alegado no documento judicial.
O caso coloca um holoforte sobre as práticas de marketing de cassinos online e a influência de celebridades em setores regulamentados, levantando questões sobre a responsabilidade de figuras públicas ao promoverem produtos financeiros e de jogo a seus seguidores.