Influenciador anuncia morte do pai após longa internação em estado grave
O influenciador digital Francisco Garcia comunicou publicamente o falecimento de seu pai, Antônio Lisboa, conhecido carinhosamente como "seu Boinha", aos 69 anos de idade. A morte ocorreu na noite de terça-feira (17), às 22h24, após mais de vinte dias de internação em uma unidade de terapia intensiva, onde o paciente se encontrava em estado considerado extremamente grave pelos médicos.
Despedida emocionada e atualizações diárias
Em publicação nas redes sociais, Francisco Garcia expressou sua dor e gratidão: "Comunico a todos o falecimento do meu pai. Agradeço a ajuda de todos e peço que continuem as orações por todos nós da família nesse momento de despedida e saudade". O velório foi marcado para a quarta-feira (18), a partir das 10 horas, com a despedida final prevista para ocorrer no Cemitério Jardim da Paz, localizado em Balsas, no Maranhão, cidade onde a família reside.
Durante toda a internação, o influenciador manteve seus seguidores informados através de atualizações diárias sobre o delicado estado de saúde do pai. Na última visita, realizada na quarta-feira, Francisco relatou que o idoso apresentava febre alta, atingindo a marca preocupante de 40°C, sintoma associado a uma infecção generalizada que complicava ainda mais seu quadro clínico.
Esperança mantida até os últimos momentos
Apesar do prognóstico reservado, a família manteve a esperança até o fim. "Ainda existe vida, ainda existe atividade cerebral sendo monitorada, ainda existem decisões médicas em andamento. Muitas famílias já ouviram 'não reagiu ainda' e, mesmo assim, houve algum nível de recuperação", compartilhou Francisco Garcia em um dos seus últimos relatos antes do óbito. Essa postura refletia o desejo de acreditar em uma possível melhora, mesmo diante das adversidades.
Entenda o caso: a complexa cirurgia cerebral realizada
O quadro de saúde de Antônio Lisboa tornou-se crítico após uma cirurgia realizada no final de janeiro para retirada de parte do crânio, procedimento médico conhecido como cranioectomia descompressiva. Curiosamente, a área óssea extraída foi armazenada no abdômen do paciente, uma técnica utilizada em situações específicas para preservar o material biológico. Desde a intervenção cirúrgica, o idoso não recuperou a consciência, permanecendo sob monitoramento intensivo na UTI.
Sequência de eventos que levaram à cirurgia
Tudo começou quando Antônio apresentou um episódio de hidrocefalia, caracterizado pelo acúmulo anormal de líquido no cérebro. A cirurgia inicial, indicada para melhorar essa condição, resultou em um derrame cerebral após um pico de pressão intracraniana. "Os médicos recomendaram a cirurgia, mas o pior aconteceu", explicou Francisco Garcia em um vídeo detalhando a situação. Para aliviar a pressão elevada e dar espaço para a expansão cerebral, os especialistas optaram pela cranioectomia descompressiva.
Explicação médica detalhada do procedimento
O neurocirurgião Nick Dorneli de Carvalho, do Hospital João XXIII, referência nacional em traumatologia, esclarece que essa técnica é empregada em casos de hipertensão intracraniana decorrente de acidentes vasculares cerebrais, tumores, edemas, traumas ou sangramentos intracranianos. "O procedimento é para dar espaço para o cérebro expandir, crescer, após a lesão na área", afirma o médico.
Após a retirada, o osso pode ser armazenado em um banco de ossos, congelado, ou, como no caso de Antônio, implantado no abdômen do próprio paciente. Essa abordagem envolve uma abertura de aproximadamente oito centímetros na barriga, onde o osso é posicionado entre a camada subcutânea e a musculatura abdominal. "O abdômen é um local seguro para o osso porque o protege, sem danificá-lo", complementa Carvalho.
Recuperação e reconstrução futura
Passada a fase aguda, quando o cérebro retorna ao seu tamanho natural, é possível programar a cranioplastia, que consiste em recolocar o osso no crânio e reconstruir a estrutura óssea da cabeça. No entanto, se houver necessidade de descartar a parte do crânio removida, os médicos recorrem a alternativas como o cimento ósseo, um polímero de secagem rápida que, após endurecer, oferece resistência adequada. Essa técnica é particularmente comum em hospitais de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS).
O tempo para a recolocação do osso varia conforme a recuperação de cada paciente, e, infelizmente, em alguns casos, as pessoas não retornam ao hospital para completar o procedimento de implantação. A história de Antônio Lisboa ilustra os desafios e as complexidades enfrentadas por famílias em situações de saúde crítica, destacando a importância do apoio emocional e das informações médicas claras durante processos tão delicados.