A atriz e dançarina Natacha Horana, de 33 anos, conhecida como musa da Gaviões da Fiel, fez um retorno marcante aos desfiles das escolas de samba de São Paulo no carnaval deste ano. Sua reaparição na Avenida ocorre após um período de quatro meses de detenção na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, um capítulo sombrio que a afastou dos holofotes em 2024.
Operação Argento e a prisão em 2024
Natacha foi detida em novembro de 2024, durante a Operação Argento, uma investigação que mirou o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido. De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), a ex-bailarina do Faustão manteve um relacionamento com Valdeci e teria tido suas contas pessoais utilizadas para lavagem de dinheiro do crime organizado, uma acusação que ela veementemente nega.
Os promotores potiguares alegam que empresas ligadas ao líder do PCC realizaram diversos depósitos nas contas de Natacha, o que justificou sua prisão preventiva. Ela foi solta apenas em março de 2025, após meses de detenção, mas ainda responde a um processo criminal por lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e associação criminosa.
Um carnaval adiado e a espera por liberdade
No carnaval do ano passado, Natacha revela que já estava com a fantasia pronta para desfilar, aguardando ansiosamente por um habeas corpus da Justiça que permitisse sua entrada no Sambódromo. “É o meu quinto ano na Gaviões, onde desfilo desde 2021. Mas essa volta para mim está sendo como uma estreia, porque o carnaval faz parte da minha vida e da construção da minha carreira”, compartilha a artista.
Ela acrescenta: “Ano passado eu estava presa e mesmo assim acompanhei o desfile de lá. Minha fantasia estava pronta para eu poder desfilar, na esperança de eu ser solta. Se eu saísse sábado de manhã, eu iria desfilar. Mas [o Judiciário] entrou em recesso, e o habeas corpus só saiu depois do carnaval”.
Relacionamento com Colorido e as acusações
Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, está atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília, suspeito de lavar mais de R$ 23 milhões do PCC. Foragido por quase uma década, ele teria se escondido na Bolívia e submetido a procedimentos estéticos para alterar sua aparência, sendo preso em abril de 2022 durante uma blitz da Polícia Rodoviária Federal em Pernambuco, quando viajava com Natacha.
Natacha afirma que conheceu Valdeci sob o nome de Joaquim, apresentado como um empresário e dono de fazendas de gado. “Eu o conheci com outro nome, foi um breve relacionamento. Ele me fez alguns PIX e por isso me relacionaram a ele”, explica ela. Apesar do curto vínculo de cerca de três meses, ela visitou o ex-companheiro pelo menos quatro vezes na penitenciária de segurança máxima, registros que foram usados como evidência pelo MP-RN.
Impactos psicológicos e a busca por recuperação
O período na prisão deixou marcas profundas em Natacha, que desenvolveu depressão e síndrome do pânico durante a detenção. “Ficar longe e a falta de liberdade de não poder falar, me defender [publicamente], foi muito traumatizante”, desabafa. “Agora, estar na Avenida neste ano é uma coisa tipo de renascimento, de liberdade. Tipo: ‘Meu Deus, passei pelo pão que o diabo amassou, pela vida e a morte, e agora estou reconquistando as minhas coisas’, provando a minha inocência”.
Ela destaca que o retorno aos ensaios da Gaviões tem sido terapêutico: “Foi muito difícil porque eu saí de lá com vários traumas, com depressão, síndrome do pânico e tive que ser medicada. Mas como eu fui muito abraçada pela Gaviões, também foi uma terapia estar ali, danças, voltar ao palco. Ali eu me sinto em casa”.
Projetos futuros e engajamento social
Com quase 1 milhão de seguidores no Instagram, Natacha se descreve como “escritora em construção”, planejando lançar um livro de memórias sobre sua experiência no cárcere. Além disso, ela iniciou um projeto social com amigas para auxiliar detentas abandonadas pelas famílias e sem recursos para reconstruir suas vidas.
“Depois que eu passei por lá, me abriu o olho para a situação dessas mulheres, que precisam de uma segunda chance, independentemente do que tenham feito”, comenta. “A gente oferece ajuda psicológica, apoio jurídico no processo”.
O retorno triunfal ao carnaval
Para marcar sua volta ao Sambódromo, Natacha preparou uma fantasia repleta de efeitos especiais, cristais e penas, que ela afirma ser inédita entre as musas da Gaviões. Neste ano, ela desfilará na frente da décima ala da agremiação, que entrará no Anhembi como a quarta escola, no dia 14, às 1h45.
A Gaviões da Fiel apresentará o samba-enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, celebrando a luta, resistência e legado dos povos indígenas do Brasil. Para Natacha, mais do que um desfile, esta é uma oportunidade de renascer e reafirmar sua inocência perante o público e a Justiça.
