
Numa era de conexões descartáveis e apps de encontros, a monogamia virou quase uma peça de museu? Fernanda Torres, aquela força da natureza das artes cênicas brasileiras, discorda veementemente. E vai além.
Numa conversa que mais parece um bate-papo de boteco com profundidade filosófica, ela solta a bomba: escolher ser fiel a uma só pessoa nos dias de hoje não é só uma opção — é um manifesto político, um ato de rebeldia contra a correnteza.
O Mundo Líquido e a âncora da Escolha
— A gente vive nesse turbilhão de estímulos, né? Tudo é rápido, efêmero, descartável — reflete Torres, com aquela voz que já conhecemos de tantos personagens marcantes. — E no meio disso tudo, você chegar e dizer 'eu escolhi esta pessoa, ponto final'... isso exige uma coragem que poucos têm.
Ela não está pregando moralismo, longe disso. A fala dela é mais sobre autoconhecimento do que sobre julgamento. Sobre entender o que realmente se quer, em vez de seguir modismos ou ceder à pressão do 'experimente tudo'.
As Redes Sociais e a Ilusão da Conquista Fácil
Ah, as redes sociais... aquela vitrine infinita de possibilidades românticas (ou só sexuais, vamos combinar). Torres cutuca esse vespeiro com a habilidade de quem observa o mundo há décadas.
— Ficamos hipnotizados por aquela sensação de que sempre tem algo melhor na próxima timeline, no próximo swipe — analisa. — E no meio dessa febre de consumo afetivo, quem pára para construir algo sólido acaba parecendo um dinossauro. Um dinossauro muito feliz, diga-se de passagem.
O recado dela é claro: a verdadeira revolução não está em quebrar regras, mas em escolher conscientemente quais regras valem a pena seguir.
O Peso (Doce) do Compromisso
Longe de ser uma defesa do tédio ou da estagnação, a fala de Fernanda celebra exatamente o oposto: a aventura que é mergulhar de cabeça em uma única história.
— As pessoas confundem liberdade com falta de escolha — provoca. — Mas é justamente quando você se compromete que a coisa fica realmente interessante. É ali que começa o trabalho de verdade, o mergulho nas profundezas do outro e de si mesmo.
E finaliza com um sorriso que quase dá para ouvir através das palavras: — No fim das contas, a maior ousadia可能 justamente não ser óbvia.