Brooklyn Beckham acusa pais de sabotar casamento e revela rompimento familiar
Brooklyn Beckham acusa pais de sabotar casamento

Brooklyn Beckham expõe conflito familiar e acusa pais de sabotagem

Brooklyn Peltz Beckham, filho mais velho do casal de celebridades David e Victoria Beckham, tornou pública na última segunda-feira uma ruptura familiar que vinha sendo alvo de especulações há meses. Em uma série de postagens nas redes sociais, o jovem acusou os pais de atacá-lo e a sua esposa, Nicola Peltz Beckham, na imprensa e de tentarem sabotar seu relacionamento. Brooklyn afirmou categoricamente não querer se reconciliar com os pais, marcando um distanciamento público que chama atenção pelo perfil famoso da família.

Casos de rompimento familiar se tornam cada vez mais comuns

Casos como o de Brooklyn Beckham, de rompimento com os pais, não são incomuns na sociedade contemporânea. A britânica Sarah, que teve seu nome alterado para preservar identidade, também cortou relações com a mãe poucos dias antes do seu aniversário de 21 anos. "Eu estava ficando muito irritada", revela a jovem, cujo distanciamento aconteceu durante uma ligação telefônica. O fato dos pais estarem muito ocupados para celebrar seu aniversário foi apenas um dos motivos para o afastamento.

Sarah estava cansada da frieza, do egoísmo e da falta de interesse demonstrada pela mãe. Ela conta que sua progenitora menosprezava sua formação acadêmica e a pressionava para ajudar na fazenda da família. Mas o que mais doía era o fato da mãe nunca ter tentado protegê-la do pai, descrito como controlador e muitas vezes abusivo. Por dois ou três anos, Sarah ficou sem falar com a mãe, que também nunca a procurou. "Foi até libertador", lembra. Quando decidiu mudar para o exterior, entrou em contato com os pais para não deixar as coisas mal resolvidas, mas a atitude deles foi decepcionante: agiram como se nada tivesse acontecido, levando a novos distanciamentos nos anos seguintes.

Especialistas analisam crescimento do fenômeno

Especialistas acreditam que o distanciamento entre pais e filhos está crescendo, embora seja difícil encontrar dados que sustentem essa opinião de forma definitiva. O que se sabe é que o rompimento familiar tem se tornado surpreendentemente comum, apesar da decisão não ser simples. Lucy Blake, professora de Psicologia da Universidade do Oeste da Inglaterra e autora do livro Nenhuma família é perfeita: um guia para abraçar a realidade confusa, afirma que há relativamente pouca pesquisa sobre o tema. "Ainda é um tabu", diz. "É um tema assustador, sobre o qual as pessoas não querem falar. Elas acham que isso acontece apenas com os outros."

Um estudo publicado em 2022, usando dados de uma pesquisa com mais de 8.500 pessoas nos Estados Unidos, revelou que 26% dos entrevistados haviam se afastado dos pais e 6% das mães ao longo de 24 anos. Isso incluía algumas pessoas que ainda viam os pais em ocasiões pontuais. Um levantamento similar na Alemanha com 10.200 pessoas apontou que 9% dos entrevistados tinham se distanciado da mãe e 20% do pai durante um período de 13 anos.

Fatores que contribuem para o distanciamento

Karl Pillemer, sociólogo da Universidade Cornell, identificou em pesquisa com 1.340 pessoas nos Estados Unidos que 10% dos entrevistados estavam afastados dos pais ou dos filhos sem qualquer tipo de contato. Pillemer argumenta que nas gerações anteriores aos baby boomers havia uma norma muito forte de solidariedade familiar que se enfraqueceu com o tempo. Joshua Coleman, psicólogo especializado em distanciamento familiar, acrescenta que o individualismo crescente pode estar por trás desse movimento. "A cultura do individualismo gira em torno do foco em si mesmo, na sua identidade, na sua própria felicidade", destaca.

Coleman argumenta que esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais, onde é cada vez mais fácil encontrar grupos com pessoas que pensam de forma semelhante, e muitos influenciadores digitais encorajam seguidores a cortar laços com pessoas consideradas "tóxicas". Ele também aponta o aumento do número de pessoas que fazem terapia como um fator importante, mas nem sempre positivo, já que há casos de terapeutas que ouvem apenas um lado da história.

Principais razões para rompimentos familiares

O estudo de Pillemer descobriu que, muitas vezes, o afastamento não acontece por causa de um grande evento traumático, mas sim por um "acúmulo de pequenas interações negativas". Atritos constantes entre genros, noras e sogros, por exemplo, desgastam a relação até chegar ao ponto de ruptura. Em pesquisa liderada por Coleman com mais de 1.000 pessoas, a maior parte dos participantes citou:

  • Ações específicas de parentes ou dinâmicas familiares problemáticas
  • Contextos pós-divórcio, como ficar do lado de um dos pais
  • Questões de identidade e sexualidade não aceitas pelos pais
  • Diferenças políticas (cerca de 20% dos casos)

No Reino Unido, Blake entrevistou cerca de 800 pessoas que cortaram relações com um familiar e descobriu que a maioria citou abusos emocionais como motivo principal. "Geralmente está relacionado a padrões de criação problemáticos, como uma educação muito rígida, controladora ou autoritária", explica.

Reflexões sobre obrigações familiares

Christopher Cowley, filósofo da University College Dublin, reflete sobre as obrigações entre pais e filhos: "Por um lado, eu devo aos meus pais literalmente tudo, no sentido metafísico e existencial. Mas, claro, se eu sofri algum tipo de abuso parental, isso presumidamente significa que eu não tenho mais qualquer dever com eles." Cowley sugere que uma relação ideal entre pais e filhos deve ser semelhante a uma amizade, com compreensão mútua.

Pillemer lembra a importância de considerar fatores externos que podem ter influenciado o comportamento parental: "Será que a falta de conhecimento, problemas mentais, de saúde ou dificuldade financeira não contribuíram para uma criação ruim?" Ele cita o caso de uma mãe cujo marido a abandonou nos anos 1960, quando as opções para mulheres eram limitadas, e que se casou novamente por necessidade de proteção familiar.

Consequências emocionais e possibilidade de reconciliação

Para muitas pessoas, o distanciamento traz alívio. "Pesquisas mostram que filhos adultos relataram se sentir mais felizes e menos estressados após o afastamento", diz Coleman. No entanto, Blake observa que o afastamento pode ser extremamente solitário, principalmente durante feriados quando as famílias tradicionalmente passam tempo juntas.

A reconciliação é possível. Um estudo de 2022 estimou que 62% dos participantes que estavam afastados das mães e 44% que estavam afastados dos pais se reconciliaram, pelo menos por um tempo, em um período de 10 anos. Foi o que aconteceu com Sarah, que atualmente mantém contato limitado com sua mãe. "Ela está ficando velha e teve uma vida difícil. Eu sinto muito que ela tenha passado por isso", diz.

Especialistas concordam que, se manter uma relação for realmente insuportável, o ideal pode ser começar com um afastamento temporário. Coleman recomenda que os filhos que optarem pelo afastamento tentem retomar o contato depois de um ano: "Às vezes, esse tempo é suficiente para despertar algo nos pais." Os pais não devem aos filhos uma infância perfeita, e os filhos não devem aos pais gratidão eterna. Talvez o que eles devam uns aos outros seja empatia, autorreflexão e disposição para ouvir.