Atleta morre durante prova de triathlon Ironman 70.3 em Curitiba; cardiologista explica causas
Atleta morre em triathlon Ironman 70.3 em Curitiba; causas explicadas

Atleta morre durante prova de triathlon Ironman 70.3 em Curitiba; cardiologista explica causas

Um atleta faleceu no último domingo, 8 de março, após passar mal durante a prova de triathlon Ironman 70.3, realizada em Curitiba, no Paraná. Segundo informações da organização do evento, o competidor, que não teve sua identidade divulgada, necessitou de atendimento médico ainda na etapa de ciclismo, fase em que os participantes percorrem aproximadamente 90 quilômetros.

"O participante foi prontamente assistido pela equipe de socorro do evento, recebeu os primeiros cuidados no local e foi encaminhado a um hospital da região, mas infelizmente não resistiu", informou a organização através de uma publicação oficial no Instagram.

Detalhes da competição e percurso

De acordo com dados do governo do Paraná, a competição reuniu cerca de 1.400 atletas de diversas regiões. O percurso completo do Ironman 70.3 incluiu 1,9 quilômetro de natação na Represa do Passaúna, seguido por 90 quilômetros de ciclismo entre os municípios de Araucária e Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, e finalizou com 21 quilômetros de corrida no tradicional Parque Barigui.

Possíveis causas da morte súbita em atletas

Embora a causa específica da morte ainda não tenha sido oficialmente divulgada pelas autoridades médicas, episódios trágicos como este frequentemente estão associados a problemas de saúde não diagnosticados que afetam diretamente o funcionamento do coração e a circulação sanguínea, especialmente as arritmias cardíacas.

Em provas de endurance como o triathlon, o sistema cardiovascular dos atletas é submetido a um esforço prolongado e extremamente intenso. Quando existe uma condição cardíaca silenciosa ou não identificada, ela pode se manifestar justamente nessas situações de grande exigência física.

Segundo a cardiologista Maria Emilia Teixeira, da unidade de hipertensão da Universidade Federal de Goiás (UFG), as causas de morte súbita em atletas variam significativamente conforme a faixa etária do competidor.

Problemas cardíacos em atletas mais jovens

Em pessoas mais jovens, alterações elétricas do coração – que frequentemente levam a arritmias graves – estão entre as explicações mais comuns para esses eventos trágicos. "Essas arritmias muitas vezes são decorrentes de doenças que a pessoa não sabia que tinha, como algumas cardiopatias estruturais", explica a médica.

Um exemplo específico mencionado pela especialista é a cardiomiopatia hipertrófica, condição que pode ser herdada geneticamente e que predispõe significativamente o indivíduo a desenvolver arritmias perigosas durante esforços intensos.

Outro problema cardíaco possível é a chamada displasia arritmogênica do ventrículo direito, uma doença relativamente rara que altera profundamente a estrutura do músculo cardíaco. Também existem as canalopatias, que são alterações genéticas que afetam diretamente os canais elétricos das células do coração e podem desencadear arritmias malignas em momentos críticos.

"São doenças relativamente raras, mas que existem na população e cuja primeira manifestação pode ser justamente uma morte súbita durante esforço intenso", destaca a cardiologista Maria Emilia Teixeira.

Fatores de risco em atletas acima de 35 anos

Já entre atletas com idade superior a 35 anos, outro fator passa a ganhar peso considerável: a doença coronariana. Esta condição envolve a obstrução progressiva das artérias que nutrem o coração, geralmente causada pelo acúmulo de placas de gordura ao longo dos anos, e pode levar a infartos fulminantes.

É importante ressaltar que mesmo pessoas fisicamente ativas e que se consideram saudáveis podem apresentar esse problema, especialmente quando existe um histórico familiar significativo de doenças cardiovasculares. "Mesmo sendo atleta, quem tem uma carga genética importante pode desenvolver obstruções nas coronárias e sofrer um infarto", afirma a especialista.

Condições que se manifestam apenas durante esforço intenso

Alguns desses problemas cardíacos podem permanecer completamente silenciosos por anos, décadas ou mesmo por toda a vida do indivíduo. Em determinadas situações extremas, o primeiro e único sinal aparece justamente durante uma atividade física muito intensa, como uma competição de triathlon.

Isso ocorre porque o esforço físico extremo exige que o coração trabalhe muito mais rápido e com uma demanda de oxigênio drasticamente aumentada. Se existir alguma limitação no fluxo sanguíneo ou alteração elétrica no órgão, todo o sistema cardiovascular pode entrar em colapso repentinamente.

"Existem arritmias consideradas malignas, em que a atividade elétrica do coração se desorganiza completamente a ponto de impedir uma contração eficaz e a circulação adequada do sangue. A mais conhecida é a fibrilação ventricular", detalha a cardiologista.

Fatores adicionais de risco

Outro fator que pode contribuir significativamente para eventos trágicos durante competições de longa duração é a desidratação severa. Em atividades que se estendem por horas, o atleta perde grandes quantidades de líquidos e sais minerais essenciais através do suor excessivo.

Quando essa reposição hídrica e mineral não ocorre de forma adequada e oportuna, podem surgir alterações perigosas no ritmo cardíaco, quedas bruscas de pressão arterial e, em casos extremos, colapso circulatório completo.

Risco em perspectiva e importância dos exames preventivos

É fundamental colocar esses riscos em perspectiva adequada. Isso não significa que provas de triathlon ou outras competições de endurance sejam, por si só, atividades inseguras ou que devam ser evitadas. Pelo contrário, a prática regular de exercícios físicos está associada à redução significativa da mortalidade por todas as causas e à diminuição dos fatores de risco cardiovascular.

No entanto, especialistas em medicina esportiva e cardiologia costumam reforçar continuamente a importância crucial de avaliações médicas periódicas e completas, especialmente para atletas que participam regularmente de esportes de alta intensidade e longa duração.

O sedentarismo, por outro lado, continua sendo considerado um grave problema de saúde pública mundial e figura consistentemente entre as dez principais causas de morte e incapacidade no planeta, segundo dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS).