Steve Hackett retorna ao Brasil após 49 anos e fala sobre música como embaixadora da paz
Steve Hackett volta ao Brasil e fala sobre música e paz

Steve Hackett retorna ao Brasil após quase meio século para shows emocionantes

Quase cinquenta anos se passaram desde a primeira apresentação do guitarrista inglês Steve Hackett em solo brasileiro. Em 1977, ele subiu ao palco com o Genesis, lendária banda de rock progressivo, para shows históricos no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Agora, em março de 2026, o músico retorna para duas apresentações especiais: no Vivo Rio, MAM, no dia 21, e no Espaço Unimed, em São Paulo, no dia 22.

Uma trajetória marcada pela excelência musical

Desde que deixou o Genesis em 1977, logo após os shows brasileiros, Hackett investiu em uma carreira solo prolífica e diversificada. Com 30 álbuns de estúdio – incluindo o aclamado Voyage of the Acolyte de 1975 – e mais de 20 registros ao vivo, o guitarrista consolidou-se como um dos maiores virtuoses do instrumento. Sua técnica refinada e abordagem lírica e erudita conquistaram tanto fãs do rock quanto apreciadores de composições mais sofisticadas.

Nos últimos 49 anos, Hackett manteve uma relação especial com o Brasil, especialmente com o Rio de Janeiro. Seu casamento com a artista plástica carioca Kim Poor, entre 1981 e 2007, fortaleceu esses laços, resultando em diversas visitas para shows, férias e turismo pelo país. Mesmo após o fim do casamento, o músico continuou retornando regularmente, demonstrando seu carinho pela nação.

Turnê internacional e reencontro com os clássicos

Atualmente, Hackett está em uma extensa turnê que começou nos Estados Unidos, passou pelo México e Peru, e seguirá para Chile, Argentina e diversos países europeus. No Brasil, ele será acompanhado pela banda argentina Genetics, apresentando os maiores sucessos do Genesis. Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, o guitarrista compartilhou suas expectativas e reflexões.

"É sempre ótimo tocar no Brasil, e estamos trazendo um show empolgante com as músicas favoritas do Genesis", declarou Hackett sobre as apresentações de março. Sobre o público brasileiro, ele foi enfático: "O público brasileiro, em geral, sempre responde de forma fantástica, e é sempre uma alegria tocar aí."

Defesa dos álbuns e da música como instrumento de paz

Questionado sobre as transformações na indústria musical, Hackett expressou preocupação com a audição fragmentada promovida pelas plataformas de streaming. "Os álbuns mudaram o mundo. A audição fragmentada é um problema. Isso me preocupa, e continuo defendendo os álbuns e a música de melhor qualidade", afirmou.

Sobre o uso de redes sociais e palcos para discussões políticas e sociais, o guitarrista adotou uma postura clara: "Não me envolvo publicamente com temas controversos. Acredito que a música pode ajudar a curar as pessoas. É uma grande embaixadora da paz." Essa filosofia reflete sua visão da arte como elemento unificador e transformador.

Inspiração brasileira e obras marcantes

O Brasil não foi apenas destino de shows, mas também fonte de inspiração criativa. Durante visitas ao Rio nos anos 1980, Hackett compôs material para o álbum Cured (1981) e gravou integralmente Till We Have Faces (1984) com participação de músicos locais. "No Till We Have Faces eu queria fazer um álbum totalmente imerso em percussão. Foi bom tocar com músicos locais", relembrou.

Sobre suas preferências musicais, Hackett destacou o álbum Selling England by the Pound do Genesis como seu favorito da banda, enquanto na carreira solo escolheu Spectral Mornings e o recente The Circus and The Nightwhale (2024). Sua abordagem "pan-gênero" – como ele mesmo define – permite transitar entre rock progressivo, música erudita, world music e elementos eletrônicos, sempre buscando inovação e profundidade artística.

Ao final da entrevista, Hackett reforçou seu amor pela música e sua crença no poder transformador da arte. Com quase 50 anos de carreira, o guitarrista continua a inspirar novas gerações e a demonstrar que a excelência musical transcende fronteiras e tendências passageiras.