Trem do Choro atinge 13ª edição com homenagem especial à Nilze Carvalho
Na próxima quinta-feira, 23 de abril de 2026, feriado de São Jorge no estado do Rio de Janeiro, o Trem do Choro celebra o Dia Nacional do Choro com uma edição especial que homenageia o nascimento do mestre Pixinguinha e destaca a trajetória da instrumentista Nilze Carvalho. Em parceria com a SuperVia, o evento transforma viagens ferroviárias em experiências musicais únicas pelos trilhos do subúrbio carioca.
Origem e expansão do projeto cultural
A história do Trem do Choro começou em 2012, quando o músico Luiz Carlos Nunuka e amigos criaram uma roda de choro no bairro de Olaria, na zona norte do Rio de Janeiro. A iniciativa, denominada Instituição Cultural Grupo 100% Suburbanos, obteve tanto sucesso que, no ano seguinte, conquistou a parceria da SuperVia. Desde então, anualmente na data do Dia do Choro, a empresa cede um trem especial onde conjuntos musicais se espalham por oito vagões, cada um batizado com grandes nomes do gênero.
"E a cada ano, o Trem do Choro está se espalhando cada vez mais", afirmou Itamar Marques, do Coletivo Trem do Choro, responsável pela organização e promoção do evento. Para participar, o público precisa pagar apenas a tarifa regular de embarque, democratizando o acesso à cultura musical brasileira.
Homenagem às mulheres na música brasileira
Esta 13ª edição presta homenagem especial a Albenise de Carvalho Ricardo, nascida em 1969 em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Mais conhecida como Nilze Carvalho, a cantora, compositora, bandolinista e cavaquinista brasileira é formada em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e mantém profunda ligação com a música popular brasileira, especialmente o choro instrumental e o samba carioca.
Itamar Marques explicou que a escolha da instrumentista tem como objetivo homenagear as mulheres de modo geral, que têm enfrentado diversas formas de agressão e violência no país. "Nada mais justo do que homenagear a mulher através de Nilze Carvalho", destacou o organizador. Durante o evento, Nilze Carvalho ocupará o primeiro vagão do trem, que conta com maquinista especial.
Programação completa e oficialização do coletivo
A programação terá início às 10h na Estação Central do Brasil, Plataforma 12, com partida do trem às 11h18 em direção à Estação Olaria, batizada simbolicamente de "Estação do Choro Zé da Velha". Durante o trajeto, grupos de choro se apresentarão em cada vagão, celebrando a rica tradição da música instrumental brasileira.
Em Olaria, músicos e participantes seguirão em cortejo pelo Circuito Mestre Siqueira até a Travessa Pixinguinha, local onde o patrono do dia viveu e será homenageado. Após o cortejo, acontecerá a tradicional roda de choro e feira cultural do Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano, na Praça Ramos Figueira, conhecida como Reduto Pixinguinha.
Nesta edição, o Coletivo Trem do Choro será oficialmente instituído. Formado por diversas instituições culturais da zona da Leopoldina, o coletivo busca preservar a história do evento e fortalecer a cena cultural local. "São várias mãos, cada uma na sua especialidade, para não deixar morrer a história do Trem do Choro e manter essa parte cultural. Porque o choro hoje é mundial e seu público está cada vez mais aumentando", explicou Marques, que estima a participação anual de 6 mil a 7 mil pessoas no evento.
Ação social e celebração comunitária
Além das apresentações musicais, a Praça Ramos Figueira sediará uma ação social realizada em parceria com o Lions Club, integrando ainda mais o evento à comunidade local. Esta iniciativa reforça o caráter inclusivo e social do Trem do Choro, que não apenas celebra a música, mas também fortalece laços comunitários e promove ações de cidadania.
Em cada estação ao longo do percurso, o trem para para convidar o público a integrar-se à festa e apreciar grandes chorinhos, criando uma experiência musical itinerante que une diferentes bairros e comunidades do Rio de Janeiro através da cultura brasileira.



