Mural homenageia Edison Carneiro no Catete e museu ganha nova reserva técnica
Mural de Edison Carneiro inaugurado no Catete com nova reserva técnica

Homenagem histórica a Edison Carneiro marca sexta-feira 13 no Catete

Nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) no Catete viveu um dia histórico com dupla celebração: a inauguração de um mural em homenagem ao etnólogo Edison Carneiro e a assinatura de um protocolo que pode finalmente resolver uma demanda de décadas por espaço adequado para o maior acervo de cultura popular do país.

Protocolo histórico para ampliação do museu

Após quase três décadas de espera, o Museu de Folclore Edison Carneiro deu um passo decisivo para ampliar suas instalações. O CNFCP assinou um Protocolo de Intenções com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) visando a futura cessão de uso de uma área nos jardins do Museu da República.

Essa área, que margeia o prédio do CNFCP, será destinada à construção de uma nova reserva técnica para abrigar adequadamente os mais de 20 mil itens que compõem o acervo do museu. Considerado único no país, este conjunto é referência fundamental para pesquisas sobre manifestações culturais populares e tradicionais brasileiras.

Mural do Projeto NegroMuro eterniza legado

Paralelamente ao avanço institucional, o terraço do CNFCP foi aberto ao público geral para receber uma homenagem artística a Edison Carneiro. O Projeto NegroMuro assinou um painel que imprime o homenageado com as vestimentas de Zé Pelintra/Exu, conectando sua trajetória intelectual com as tradições que estudou.

"Homenagear Edison Carneiro no museu que leva seu nome é cumprir um dos principais objetivos do projeto NegroMuro, que é relacionar a memória de nossos personagens negros históricos a um território que dialogue com sua trajetória", afirma Pedro Rajão, integrante do coletivo.

Esta é a sexta obra do NegroMuro em um museu, mas a primeira em um espaço dedicado à cultura popular. "Uma grande afirmação de que nosso trabalho é popular e merece estar exposto também em espaços de memória institucionais", completa Rajão.

Demanda histórica por espaço adequado

Rafael Barros Gomes, diretor do CNFCP, destaca que há aproximadamente 30 anos o acervo ocupa um espaço já insuficiente para sua dimensão. "Trata-se de um acervo que cresce mês a mês, ano a ano, e que não recebe as condições ideais de conservação", explica.

Elizabeth Pougy, chefe do Museu de Folclore Edison Carneiro, detalha os desafios técnicos: "Esse acervo é composto por objetos dos mais diversos materiais, como barro, madeira, fibra trançada, fantasias em variados materiais, instrumentos musicais etc. Uma reserva técnica deve ser um espaço adequado, física e climaticamente, para a preservação dessas diferentes tipologias".

Atualmente, apenas uma pequena parcela da coleção está acessível ao público através da exposição Os objetos e suas narrativas, enquanto 90% dos itens permanecem na reserva técnica atual, criada em 1980 e ampliada em 1987, mas agora completamente saturada.

Compromisso institucional com a cultura popular

A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, ressalta a importância da cooperação institucional: "O Museu da República passa a contribuir para o fortalecimento das condições de salvaguarda de um dos mais relevantes acervos de cultura popular do país. A iniciativa amplia as condições de preservação e reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção da memória, da identidade e da cultura de seu povo".

Já o presidente do Iphan, Leandro Grass, enfatiza que a nova estrutura garantirá melhores condições de conservação, pesquisa e difusão dos acervos. "Poderemos assegurar não apenas a integridade física dos bens culturais, mas principalmente a continuidade das memórias, saberes e das tradições que mantêm viva a nossa diversidade cultural".

Reconhecimento a um intelectual fundamental

O momento duplamente histórico reafirma a importância da vida, obra e legado de Edison Carneiro (1912-1972), intelectual baiano, jornalista, etnólogo, comunista e pioneiro no estudo de religiões de matriz africana. Amigo de Jorge Amado, Carneiro foi fundamental para iluminar os saberes da cultura popular brasileira.

Com o mural agora inaugurado e a perspectiva concreta de ampliação do espaço físico do museu que leva seu nome, todas as gerações poderão conhecer e valorizar a figura deste mestre que dedicou sua vida ao estudo e preservação das tradições populares do Brasil.