Tradição de Iemanjá em Florianópolis é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial
A celebração Presente de Iyemojá Iyá Leke, realizada anualmente no bairro turístico do Campeche, em Florianópolis, acaba de ser oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município. Esta manifestação cultural e religiosa afro-brasileira, que ocorre há exatos 20 anos sempre no dia 2 de fevereiro, homenageia a orixá das águas com um ritual que une fé, tradição e consciência ambiental.
Proteção legal e significado histórico
O decreto municipal nº 29.140/2026, publicado em 9 de abril, garante proteção oficial à prática, considerando sua relevância cultural, religiosa e histórica. Segundo a organização do evento, a celebração reúne comunidades de terreiro, grupos culturais e a população local, "fortalecendo a transmissão de saberes ancestrais e a educação ambiental".
A imagem de Iyemojá acompanha a celebração pública, percorrendo a praça e seguindo em cortejo até o mar da praia do Pequeno Príncipe, no Campeche. Este ritual simboliza a conexão entre a comunidade e a natureza, reforçando valores de respeito e preservação.
Sustentabilidade e práticas ambientais
Um dos aspectos mais marcantes da celebração é o compromisso com a sustentabilidade. O Barco Bio, utilizado para levar as oferendas ao mar, é confeccionado com materiais naturais e biodegradáveis, minimizando o impacto ambiental. Paralelamente, o Balaio de Iyemojá, uma espécie de cesto, é empregado para recolher materiais não biodegradáveis, que são posteriormente encaminhados ao terreiro para destinação adequada.
Essas práticas demonstram como a tradição religiosa pode se aliar à conscientização ecológica, servindo de exemplo para outras manifestações culturais.
Iyemojá: símbolo de força e generosidade
Apesar de ser mais conhecida no Brasil como Iemanjá, Iyemojá se refere à mesma orixá da religião Yorubá. Símbolo de força feminina, proteção e generosidade, Iemanjá se tornou uma figura proeminente na cultura brasileira, especialmente nas religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda.
Seu culto transcende as barreiras religiosas, influenciando a arte, a música e as tradições populares em todo o país. Em Florianópolis, a celebração no Campeche representa um marco na preservação dessa herança cultural, garantindo que as gerações futuras possam continuar a honrar esses rituais.
Impacto social e cultural
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial não apenas protege a celebração, mas também valoriza a diversidade religiosa e cultural de Florianópolis. A medida promove o diálogo inter-religioso e fortalece a identidade afro-brasileira na região, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e respeitosa.
Com essa decisão, a prefeitura de Florianópolis sinaliza seu compromisso com a preservação das tradições locais, reconhecendo que a cultura é um pilar fundamental para o desenvolvimento social e comunitário.



