Galo na Neve leva o carnaval pernambucano ao Canadá com desfile em temperaturas abaixo de zero
Galo na Neve leva carnaval de Pernambuco ao Canadá com frio

Galo na Neve: a tradição do carnaval pernambucano resiste ao frio canadense

Enquanto no Recife o Sábado de Zé Pereira é marcado pelo icônico Galo da Madrugada, no Canadá uma versão adaptada e igualmente emocionante acontece sob temperaturas congelantes. O Galo na Neve se tornou uma tradição anual na cidade de Shawinigan, localizada entre Quebec e Montreal, levando a saudade e a alegria do carnaval pernambucano para terras geladas.

Do improviso à tradição consolidada

O desfile, que completou nove anos em 2024, nasceu de uma simples brincadeira entre amigos. "No primeiro ano, surgiu na brincadeira. Quatro pessoas se vestiram com roupas de verão, chinelo, fizeram um estandarte improvisado com cartolina e saíram na rua", conta Fabiana Marques, uma das organizadoras do evento.

A recifense, que integra a organização desde o segundo ano do bloco em 2015, explica que o crescimento foi gradual e impressionante: "No segundo ano, quando participei com esse casal de amigos, Mariano e Mariana, já éramos umas 20 pessoas. Fizemos uma festinha com feijoada, música e foi o dia todo de celebração. E aí foi crescendo".

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Festa de 10 horas atrai 600 foliões

Neste ano, o evento reuniu aproximadamente 600 pessoas em uma celebração que durou cerca de 10 horas. A programação começa em um salão de eventos e depois ganha as ruas da cidade canadense, mesmo com temperaturas chegando a -7 graus Celsius.

A cena, que viralizou nas redes sociais, mostra dezenas de pessoas agasalhadas com casacos e luvas, mas portando sombrinhas de frevo e bandeiras do Brasil e de Pernambuco, cantando hinos de blocos e frevos tradicionais. "Tinha muita gente bem agasalhada, mas eu no caso estava com meu shortinho e a minha regata, e pulando muito durante o trajeto porque é muito frio, mas com o calor humano deu pra gente curtir o desfile tranquilo", relatou o influenciador Wallace Nattan, que acompanhou o cortejo.

Manutenção da tradição como ato de resistência

Fabiana Marques é enfática sobre a importância de manter o desfile no mesmo dia do Galo da Madrugada: "Isso é uma coisa de que eu não abro mão. A vontade de fazer esse evento surgiu porque ficávamos quase chorando assistindo ao Galo. Para a gente, que sempre brincou o carnaval, mexia muito essa saudade, essa falta de estar lá, de sentir o calor humano. Então decidimos fazer no mesmo dia para ter o nosso".

Atualmente, o bloco é organizado por uma empresa criada especificamente para esse fim, com Fabiana, seu marido Mauro Marques e o amigo Gustavo Valença à frente. A profissionalização se tornou necessária devido ao crescimento do evento e às exigências legais canadenses.

Desafios logísticos e financeiros

Organizar um desfile de carnaval no Canadá apresenta desafios significativos: "Aqui temos muita dificuldade porque tudo é muito caro. Para desfilar na rua, precisamos de várias autorizações: da prefeitura e, dependendo do público, da polícia. Também é obrigatório ter seguro para o salão e externo para o desfile, o que é caríssimo, porque alguém pode escorregar no gelo ou acontecer algum acidente", explica Fabiana.

Apesar das dificuldades, a determinação dos organizadores permanece firme: "São muitos desafios, mas o coração pernambucano continua. A gente é madeira de lei que cupim não rói".

Público diversificado e encantado

Embora a maioria dos participantes seja brasileira (cerca de 90%, segundo Fabiana), o evento também atrai canadenses curiosos com a cultura carnavalesca: "Eles acham interessante, ficam impressionados com a alegria, com a euforia. Gostam bastante".

O Galo na Neve se tornou mais do que uma simples reprodução do carnaval pernambucano no exterior - é uma manifestação de resistência cultural, um espaço de encontro para a comunidade brasileira no Canadá e uma demonstração de que tradições podem se adaptar e florescer mesmo em condições completamente diferentes das originais.

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