Fantasias inusitadas roubam a cena nos blocos de rua do Carnaval de São Paulo
Fantasias inusitadas brilham no Carnaval de rua de São Paulo

Fantasias inusitadas roubam a cena nos blocos de rua do Carnaval de São Paulo

Os foliões que tomaram as ruas de São Paulo neste domingo (15) demonstraram uma dose extra de criatividade e irreverência nas fantasias dos blocos de rua. As opções variaram desde os clássicos, como fadinhas e libélulas, até as mais políticas e inovadoras, transformando a cidade em um verdadeiro palco de expressão cultural.

Homenagens ao cinema e críticas sociais

O casal Raul Nóbrega e Ana Sofia Calixto decidiu homenagear o filme O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, levando para o bloco Domingo ela não vai a famosa perna cabeluda narrada na história estrelada pelo ator Wagner Moura. A Perna Cabeluda no filme representa uma lenda urbana do Recife dos anos 1970, uma entidade fantasmagórica que atacava pessoas à noite, servindo como metáfora para a violência e censura da ditadura militar.

Mas o casal paulistano inovou ao adicionar uma torneira na perna cabeluda para enfrentar o calor da capital. "Nossa perna cabeluda não tem moralidade. Ela solta corote pra ajudar a gente na animação do bloco e calibrar a turma", contou o psicólogo Raul Nóbrega. "Ano passado a gente usou a fantasia da Fernanda Torres e deu sorte no Oscar. Neste ano a gente espera dar sorte pro Wagner Moura e todo o elenco do filme", disse a atriz Ana Calixto.

Celebridades e medicamentos em destaque

O designer Taufi Filho compareceu ao mesmo bloco usando uma fantasia em homenagem à cantora Gretchen, que recentemente passou por uma harmonização facial. "Eu já iria hoje pro bloco de Gretchen, a versão nova dela, harmonizada. Era outro bloco. Mas soube que ela viria e vim pra tentar falar com ela, tirar uma foto. Mas não consegui", afirmou. "A nova versão dela, harmonizada, está belíssima. E ela merece elogios, por tudo que já fez e que significa pro mundo LGBT", completou o designer. Gretchen, do alto do trio, viu a homenagem e elogiou sua 'sósia carnavalesca'.

Já o farmacêutico Rodrigo Oliveira, de 45 anos, lembrou a febre das canetinhas de emagrecimento e foi fantasiado do medicamento Mounjaro. "Hoje o mounjaro é o remédio mais popular e todo mundo quer. Tá mais cobiçado que dinheiro: todo mundo quer", disse. Questionado se o objetivo era ser cobiçado no bloquinho, ele brincou: "Não me complica que já tenho dona. Tá aqui do lado", riu, apontando para a companheira.

Casais e homenagens pessoais

As fantasias de casais também fizeram sucesso. As namoradas Bruna Capello e Sabrina Mansur foram de motorista de Uber e Uber. Segundo elas, a brincadeira que já dura vários carnavais é para tirar onda e marcar território: "É um Uber que só tem um passageiro. Só quem pega é o motorista".

O casal Laís Castro e Rafael Coelho optou por Sol e Pegando um Sol. "É uma brincadeira brega, mas a gente acha engraçado. Porque no Carnaval tá liberado até ser brega", afirmaram.

O designer gráfico Mateus Medeiros confeccionou a própria fantasia e passou o bloco todo com um Fiat Mille na cabeça, uma homenagem aos pais. "Meus pais tinha um desse e era o carro da minha infância. Passei 8 horas fazendo, mas ele ficou pesado. Faz três dias que chego em casa com torcicolo", explicou. Questionado porque continua usando a fantasia pesada, ele foi enfático: "No Carnaval não pode perder a elegância. Mesmo com torcicolo, tá engraçado e faz sucesso. Todo mundo me para tirar foto. Então, vale o esforço e a elegância".

Protestos virtuais no Carnaval

Vitor Hugo Peres e Davi Nunes aproveitaram o Carnaval fantasiados com placas que imitavam os cartazes usados por crianças em um protesto dentro do jogo virtual Roblox. A manifestação aconteceu depois que a plataforma proibiu o chat para determinadas faixas etárias. Como reação, crianças organizaram protestos no ambiente virtual do jogo, com placas que tinham erros de português, como a frase "Quero Injustiça", gerando memes nas redes sociais.

"Foi um marco na internet. A gente nunca viu crianças tão organizadas assim, às vezes abaixo dos 12 anos. Então foi muito engraçado", disse Davi Nunes.

Essas fantasias inusitadas mostram como o Carnaval de rua de São Paulo continua sendo um espaço de criatividade, humor e crítica social, onde os foliões transformam o cotidiano em celebração.