Fã de Michael Jackson forma grupo de dança como homenagem ao cantor em Itapetininga
Há quase 17 anos, o mundo se despedia de Michael Jackson. O artista multifacetado, eternizado como o "Rei do Pop", deixou uma legião de fãs e admiradores de seu trabalho como compositor, dançarino e cantor. Nesta semana chega aos cinemas de todo o país a cinebiografia sobre sua vida e sua arte. O filme "Michael" retrata sua trajetória, desde a formação do Jackson 5 até a consagração como um dos artistas mais influentes do século 20.
Paixão que inspira projetos sociais
Para marcar o lançamento do longa, estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do artista, conversamos com Paulo Henrique dos Santos, de Itapetininga (SP), grande admirador do cantor. A paixão levou o professor de educação física, de 49 anos, a criar um grupo de dança gratuito. "Ele era um cara que tudo tinha que ser do jeito dele, detalhista. A complexidade da arte dele e tudo o que fazia no palco. Um artista completo. Como eu sou envolvido com a cultura mundialmente, ele foi o maior artista que existiu. Eu acredito que não vai nascer outro igual, ele quebrou todas as regras", relata Paulo.
A admiração pelo artista começou em 1982, ano de lançamento de "Thriller". Paulo conta que ficou impressionado com o talento de Michael Jackson e desenvolveu, quase que instantaneamente, uma paixão pelo cantor. Em 1991, Paulo se mudou para Itapetininga, onde começou a frequentar bailes e grupos de dança que embalavam diversos sucessos do artista.
Projeto que transcende gerações
"Eu cresci ouvindo o Michael. No começo dos anos 2000, a gente começou a desenvolver projetos de dança urbana e colocava passos do Michael Jackson. Ele quebrou regras muito fortes nos Estados Unidos, ele ultrapassou o limite imposto por qualquer pessoa no sistema", analisa.
Enquanto ainda atuava como servidor público em Itapetininga, Paulo desenvolveu um projeto de dança com crianças em escolas, inspirado nas coreografias e no estilo marcante de Michael Jackson. Com o afastamento da administração pública por questões financeiras, ele deu continuidade à iniciativa na Pastoral da Criança, vinculada à diocese do município.
De forma independente, o fã passou a conduzir o projeto gratuitamente na pista de skate da Vila Barth, em Itapetininga. Atualmente, o grupo conta com mais de dez participantes. Os interessados podem comparecer aos encontros, realizados às terças-feiras, às 19h30, sem necessidade de inscrição prévia.
Dança como expressão cultural
Além das referências ao "Rei do Pop", Paulo também busca ensinar passos da dança charme e do hip-hop. O grupo de participantes já se apresentou em Capão Bonito (SP), Angatuba (SP), Itapetininga (SP) e Sorocaba (SP).
"A música e a dança são os movimentos culturais que eu mais gosto. Então, é prazer, podemos dizer que é meio até espiritual. Me faz bem fisicamente e espiritualmente. É algo que transcende a matéria", aponta Paulo.
Fã que se preza quer saber tudo sobre o ídolo, e com Paulo não é diferente. Mesmo sem se parecer fisicamente com Michael Jackson, o professor se dedicou a aprender os passos de dança mais icônicos do artista, como o Moonwalk, e busca reproduzi-los em suas apresentações.
Memórias emocionantes
Entre as muitas lembranças que guarda do artista, Paulo destaca uma história curiosa: uma declaração que recebeu de uma crush ao som de uma música de Michael Jackson. Na época, ele trabalhava em um lava-rápido e virou alvo de brincadeiras dos colegas.
"Nos anos 90, quando o Michael veio ao Brasil, tinha um programa de rádio aqui da cidade. Uma moça que eu estava meio 'enrolado' ofereceu uma música para mim, e ninguém dedicava música para quem trabalhava em lugar assim. Eu estava no lavador e os caras: 'A menina ofereceu uma música do Michael Jackson para você'. E começaram a tirar sarro de mim. Aí eu falei: 'O que vocês estão tirando sarro? Nenhuma menina vai mandar uma música para vocês'. Pesei o clima", brinca.
Outro momento que não sai da memória de Paulo foi quando soube da morte do artista, em 2009. Na época, Paulo morava em Sorocaba e trabalhava em um hospital. Assim que chegou em casa após o expediente, soube da notícia pelo irmão.
"Não estava sabendo. Eu fiquei triste para caramba. Eu peguei minha bicicleta e fui até a rodoviária de Sorocaba. Fiquei lá acho que a tarde toda, e eu vi um monte de gente, tanto homem quanto mulher, chorando. O homem era 'embaçado'. Ele foi uma espécie de um membro da minha família. Uma figura que representou muito para mim", contou Paulo.
Expectativa para a cinebiografia
Assim que soube da produção do filme sobre Michael Jackson, Paulo passou a nutrir grandes expectativas sobre a forma como o cantor seria retratado por seu sobrinho, Jaafar Jackson. Fã declarado, ele fez questão de garantir os ingressos assim que possível para assistir à cinebiografia no cinema.
"Se eu sou envolvido com arte, com música e dança, é por causa dele. Pelo que eu vi, é um filme bem produzido. Eu acho que vai ser muito bom. Porque o sobrinho é parecido com ele, acho que vai surpreender", afirma o professor.
Outro fã com história marcante
Outro fã de carteirinha de Michael Jackson que pretende assistir ao filme do ídolo já na pré-estreia é Marcio Aurélio da Silva, de Itapetininga. Ele teve a chance de ver o artista ao vivo em uma das duas únicas apresentações no Brasil, em 1993, com a "Dangerous World Tour", no estádio Morumbi, em São Paulo.
Na época, Marcio trabalhava em uma ótica e usou praticamente todo o salário do mês para comprar o ingresso. "Eu recebia em cheque e, no dia em que peguei meu pagamento, fui direto a uma agência de turismo. Paguei, na época, 34 dólares", relembra.
Na frente do estádio, encontrou diversos vendedores ambulantes e aproveitou para garantir camisetas personalizadas do ídolo. "Lá estava eu, com minha roupa de couro, em um calor de 35°C, e um sonho. Fiquei no campo, em frente ao palco, a uns 100 metros de distância. Dava para ver o show nitidamente. Passei o dia inteiro à base de água e sorvete de limão. Foi uma experiência incrível, que levo até hoje na memória, porque fiz de tudo para estar lá, e consegui", conta.
Apesar da euforia de ver pessoalmente o artista que tanto admirava, o momento também teve um lado negativo. "No dia seguinte, não consegui nem trabalhar de tão exausto e acabei sendo demitido. Mas meu patrão entendeu e, uma semana depois, voltei ao trabalho e segui minha vida."
Atualmente, Marcio é dono do próprio negócio, participa de corridas de rua e pratica outros esportes. Mas, se há algo que permanece igual há mais de 40 anos, é a paixão por Michael Jackson. "Continuo com minhas danças nas provas de corrida, mas hoje é mais como hobby", finaliza.
Informações sobre o filme
A cinebiografia "Michael" estreia nesta terça-feira (21). Em Itapetininga, a obra estará em cartaz no cinema localizado na Rua Doutor Coutinho, 733, no Centro. Outras informações podem ser conferidas no site oficial do cinema.



