Rainha de bateria Evelyn Bastos compartilha reflexão sobre visibilidade de artistas de comunidades no Carnaval
A rainha de bateria Evelyn Bastos celebrou um marco significativo em sua trajetória carnavalesca neste domingo (16), ao desfilar pela décima terceira vez com a Estação Primeira de Mangueira. Antes de entrar na avenida, a artista fez uma reflexão profunda sobre o destaque midiático dado a rainhas de bateria que são originárias de comunidades, um tema que toca diretamente sua própria experiência.
Reconhecimento tardio e a luta por visibilidade
Evelyn Bastos afirmou que levou um tempo considerável para alcançar o reconhecimento da mídia, destacando que não era uma figura famosa quando assumiu o posto de rainha de bateria. "A mídia foi me reconhecer lá pelo meu sexto ano, é difícil pra gente que vem da comunidade", explicou a artista, enfatizando os desafios enfrentados por aqueles que não têm um perfil já estabelecido no cenário público.
Ela ressaltou a importância de escolas de samba que valorizam e promovem essa representatividade, aplaudindo instituições como Beija-Flor, Tuiuti e Salgueiro. "Por isso que eu sempre aplaudo a Beija Flor, a Tuiuti, o Salgueiro, porque esse reconhecimento pra gente veio de agora", declarou Evelyn, celebrando a mudança gradual na forma como a mídia e o público percebem essas figuras carnavalescas.
A rainha como retrato da escola e o respeito ao sagrado
Além de discutir questões de visibilidade, Evelyn Bastos também abordou o papel simbólico da rainha de bateria dentro do contexto do desfile. "Eu acredito que a rainha é o retrato da escola, é o que a escola quer passar para o público", afirmou, sublinhando a responsabilidade de representar os valores e a mensagem da agremiação.
A artista ainda explicou sua abordagem quando o enredo da escola possui temáticas religiosas, demonstrando um profundo respeito pelo sagrado. "Quando o enredo é religioso, ela desfila com muito respeito ao sagrado", destacou, mostrando como a performance carnavalesca pode ser uma forma de homenagem e reverência.
O enredo da Mangueira e o destaque para a cultura amazônica
Neste ano, a Verde e Rosa trouxe para a avenida a história do Mestre Sacaca, conhecido como o "Guardião da Amazônia Negra". O enredo celebra a rica cultura e as tradições afro-amazônicas, oferecendo uma plataforma para discussões sobre identidade, ancestralidade e preservação cultural.
O desfile da Mangueira foi parte de uma noite repleta de apresentações marcantes, que incluiu também as escolas Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense e Portela, cada uma com seus enredos únicos e narrativas poderosas.
A reflexão de Evelyn Bastos não apenas ilumina os desafios enfrentados por artistas de comunidades no Carnaval, mas também ressalta a importância da diversidade e da representatividade na maior festa popular do Brasil. Suas palavras ecoam como um chamado para maior reconhecimento e valorização dessas vozes, que são essenciais para a riqueza e autenticidade da cultura carnavalesca.
