Carnaval do Rio tem transmissão de rádio das escolas de samba como na Fórmula 1
Carnaval do Rio tem rádio das escolas como na Fórmula 1

Carnaval do Rio inova com transmissão de rádio das escolas de samba inspirada na Fórmula 1

Quem acompanha as corridas da Fórmula 1 está familiarizado com aquele som característico das comunicações por rádio entre as equipes e seus pilotos. Neste domingo (15), durante a transmissão da Globo da abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, o público teve acesso a um recurso similar aplicado ao universo das escolas de samba. Pela primeira vez, as conversas internas entre diretores, membros da harmonia e outros integrantes foram captadas e exibidas ao vivo, revelando os bastidores e a tensão por trás da magia da Sapucaí.

Problema na Mangueira exigiu ação coordenada via rádio

Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando um carro alegórico da Estação Primeira de Mangueira enfrentou dificuldades para sair da Apoteose, após cruzar a avenida. A situação exigiu uma mobilização rápida, e a comunicação por rádio foi fundamental. Um membro da equipe fez um chamado urgente: "Todos os empurradores aqui para frente. Empurradores de todos os carros, diretor de carro, mandar todos, todos." Com o problema resolvido, o diretor de Carnaval Dudu Azevedo tranquilizou um colega que perguntava sobre a situação na retaguarda da escola: "Perfeito aqui atrás. Último carro na primeira cabine. Pode continuar assim que nós vamos tirar onda."

Tecnologia de inteligência artificial permite transcrição em tempo real

A comunicação, que ocorre entre a direção de harmonia e diversos componentes distribuídos ao longo da avenida, foi captada e analisada por um sistema de inteligência artificial. Esta tecnologia é capaz de identificar quem está falando e gerar transcrições instantaneamente, permitindo que trechos das trocas mais significativas fossem exibidos durante a transmissão. Segundo Julia Paula, produtora de tecnologia da Globo, esta inovação abre uma janela inédita para o que acontece nos bastidores dos desfiles. "Assim como é feito na Fórmula 1, o público poderá ter acesso aos bastidores de uma escola de samba, escutando conversas, interações e conteúdos exclusivos. É a tecnologia a serviço da narrativa, para revelar detalhes, decisões e o ritmo de trabalho que normalmente não aparecem na avenida."

Momentos de tensão e motivação nas comunicações

As mensagens transmitidas revelaram desde momentos de preocupação até incentivos motivacionais. Na Imperatriz Leopoldinense, integrantes demonstraram ansiedade com a demora na entrada de um carro alegórico. Um membro da equipe alertou: "Dá uma segurada, tem quase um setor aberto aqui. Irmão, a escola tá parada há quase quatro minutos." João Drummond, vice-presidente da escola, respondeu com urgência: "Preciso de um comando para andar com a escola, hein? Tô com a escola parada há muito tempo, isso vai prejudicar a evolução."

Na Portela, que enfrentou um grande buraco aberto na avenida após problemas mecânicos no último carro, a coordenação por rádio foi crucial. O diretor de carnaval Júnior Shall informou: "O último carro está na concentração. Não chegou nem no joelho ainda." Outro integrante respondeu: "Ainda está na concentração, tá? A escola já está toda na avenida, a ala na frente do carro está no setor 1. Eu preciso que pare a cabeça da escola. Eu estou na bateria e a escola está andando."

Já na Mangueira, antes do início do desfile, um integrante usou o rádio para animar a equipe: "Vamos lá, vamos arrebentar! Vamos trazer esse caneco! Valber falando!"

Comunicação por fone é essencial para harmonia das escolas

Wallace Costa, diretor da Acadêmicos de Niterói, destacou a importância vital da comunicação via fone nos desfiles atuais. "É uma coisa essencial. No meio desse barulho todo e dessa avenida, para a gente ter uma boa comunicação, garantir a harmonia e a evolução da escola. Para isso, isso é essencial. Graças a Deus, temos essa tecnologia, temos essa frequência maior. Eu, particularmente, puxei o último carro da avenida. Teve uma hora em que a gente tem que saber a hora de parar, a hora de prosseguir e a hora de manter a evolução da escola."

Esta inovação na transmissão do Carnaval carioca não apenas aproximou o público dos detalhes operacionais das escolas de samba, mas também demonstrou como a tecnologia pode enriquecer a cobertura de grandes eventos, trazendo à tona a complexa engrenagem que move um dos espetáculos mais aguardados do ano.