Carnaval de Salvador 2026: Uma festa marcada por controvérsias e desentendimentos
O carnaval de Salvador em 2026 foi palco de diversas polêmicas que chamaram a atenção durante os festejos. Os atrasos nos trios elétricos se destacaram como um dos principais motivos de desentendimentos entre artistas, resultando em aglomerações significativas no circuito Dodô, que compreende as áreas da Barra e Ondina. Esta reportagem reúne os principais episódios que marcaram o carnaval deste ano, desde brigas entre artistas até acusações graves de racismo.
Conflitos entre Bell Marques e blocos tradicionais
O cantor Bell Marques expressou sua insatisfação com uma parada do bloco Camaleão no circuito Dodô no domingo, dia 15. Ele atribuiu o engarrafamento a um problema técnico com o caminhão do bloco Olodum, que desfilava à frente. Bell Marques reclamou que o Camaleão ficou travado no percurso, incapaz de acompanhar o ritmo do bloco precedente, o que comprometeria a dinâmica do desfile.
"Todos os anos enfrentamos o mesmo problema. O que estamos discutindo? Eles devem ter alguma questão na frente que desconhecemos. Precisamos descobrir", afirmou o cantor, demonstrando frustração. O g1 tentou contato com a assessoria do Olodum para esclarecer se houve realmente algum problema com o trio, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Reclamações do Afoxé Filhos de Gandhy
O tradicional Afoxé Filhos de Gandhy também manifestou publicamente seu descontentamento com a saída do bloco comandado por Bell Marques na segunda-feira, dia 16. Durante a concentração dos blocos no circuito Dodô, um porta-voz dos Filhos de Gandhy pediu respeito ao observar que Bell subiu em seu trio por volta das 15h50.
"Respeitem a gente, respeitem os Filhos de Gandhy. Não venham dar carteirada, fizemos um acordo com Bell para sair às 16 horas", declarou o representante. O bloco Camaleão, liderado pelo ex-integrante do Chiclete com Banana, iniciou seu desfile pontualmente às 16h. Bell Marques rebateu a crítica, afirmando: "Para ser mais preciso, são 15h53. Sem dúvida, somos um dos blocos que menos atrasam no carnaval".
Disputa judicial envolvendo Daniela Mercury
Na quinta-feira de carnaval, a Justiça da Bahia determinou que o Bloco Crocodilo, liderado pela cantora Daniela Mercury, voltasse a ser o primeiro a desfilar no Circuito Barra-Ondina. A liminar foi concedida através de um mandado de segurança movido pela empresa responsável pelo bloco, que alegou uma tradição desde 1996 de inaugurar oficialmente o trajeto.
No entanto, no sábado, dia 14, o Tribunal de Justiça da Bahia suspendeu esse efeito, entendendo que não havia comprovação inequívoca de um direito automático à primeira posição. Em coletiva de imprensa, Daniela Mercury criticou a decisão e a organização do circuito: "Temos uma história linda, muito clara, toda documentada. [...] A única que permaneceu desfilando por 30 anos, apesar de tudo, fui eu! Então, por que outros estão antes de mim? Não consigo entender".
Defesa de Claudia Leitte por Carlinhos Brown
O cantor Carlinhos Brown defendeu publicamente Claudia Leitte durante sua passagem no circuito Dodô no domingo, dia 15. Brown pediu que a artista ignorasse as críticas, reacendendo a polêmica sobre uma denúncia de suposto racismo religioso feita contra ela em 2024.
"Claudia Leitte é um fenômeno da música mundial. [...] Não ligue para aqueles que dizem que você não pode falar de Deus no carnaval. Todos os lugares devem falar de Deus, de Jesus", declarou Brown, subindo no trio como convidado durante o desfile do bloco "Largadinho".
Acusação de racismo contra Carla Perez
A dançarina Carla Perez foi alvo de acusações de racismo nas redes sociais após subir nos ombros de um segurança negro durante o carnaval de Salvador. O episódio ocorreu no domingo, dia 15, quando ela puxava o trio "Pipoca Doce" no circuito Osmar, em Campo Grande.
Após a repercussão, Carla Perez se pronunciou, explicando que a decisão foi tomada em momentos pontuais para se aproximar do público infantil. "A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade", afirmou a artista, reconhecendo o impacto negativo da situação.
Aglomeração durante apresentação de Anitta
Na sexta-feira, dia 13, no circuito Dodô, Anitta interrompeu sua apresentação para responder a foliões que reclamavam da parada de seu trio elétrico em uma área já aglomerada. A artista explicou que não conseguia avançar devido à presença de outro trio bloqueando a passagem.
"Estou tentando andar, gente, mas tem outro trio aqui na frente. Não consigo criar asa, não! Está aglomerado ali, mas há um trio logo aqui", rebateu Anitta, destacando que seguir em frente poderia apertar ainda mais o público entre os foliões na rua e os associados do bloco privado à frente.
Estes episódios ilustram como o carnaval de Salvador em 2026 foi marcado não apenas pela alegria tradicional, mas também por tensões e debates importantes sobre organização, respeito e questões sociais.



