Carnaval de BH atrai 6,5 milhões com diversidade e pontos a melhorar
Carnaval de BH: 6,5 milhões de foliões e desafios na organização

Carnaval de Belo Horizonte reúne multidões e gera impacto econômico significativo

As imagens aéreas do Carnaval de Belo Horizonte revelaram ruas completamente tomadas por uma imensa multidão de foliões, em uma celebração que marcou a cidade com alegria e movimento intenso. Segundo estimativas da Prefeitura de Belo Horizonte, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas aproveitaram os quatro dias de festa, contribuindo para uma movimentação expressiva na rede hoteleira, além de gerar renda e emprego para a região. O evento se destacou pela ampla diversidade de atrações e pelo público variado, que lotou as avenidas em busca de diversão.

Pontos fortes que garantiram o sucesso da folia

Um dos principais fatores que impulsionaram o Carnaval de BH foi a oferta variada de entretenimento. Com mais de 600 blocos cadastrados, de diferentes tamanhos, estilos e propostas, os foliões tiveram opções para todos os gostos. Desde blocos menores e intimistas, como a fanfarra do Estagiários Brass Band e o churrasco do Tiozões do Pagode, até desfiles gigantescos, como os do Então, Brilha!, do Beiço do Wando e do Baianeiros, a programação foi extensa e inclusiva. Artistas de renome nacional, incluindo Marina Sena, Luísa Sonza, Zé Felipe, Michel Teló e Nattan, também atraíram grandes públicos, enchendo as ruas com suas apresentações.

A infraestrutura de apoio desempenhou um papel crucial no conforto dos participantes. Os 11.528 ambulantes cadastrados garantiram uma oferta constante de bebidas geladas, como água e cerveja, além de drinques prontos que fizeram sucesso. Restaurantes, bares e carrinhos de comida complementaram a experiência, servindo desde churrasquinho e feijão tropeiro até macarrão na chapa e cachorro-quente. O projeto de avenidas sonorizadas, implantado pelo terceiro ano consecutivo, amplificou a música dos blocos ao longo das avenidas Brasil, Andradas e Amazonas, permitindo que mesmo quem estava distante do trio elétrico pudesse curtir o som.

A segurança foi outro ponto alto, com a presença maciça de policiais militares e guardas civis municipais em todos os desfiles. A Polícia Militar atuou com efetivo completo, incluindo drones e câmeras com reconhecimento facial em áreas de maior aglomeração, enquanto a Guarda Civil Municipal mobilizou cerca de 800 agentes por turno. Não houve registros de ocorrências graves, o que contribuiu para um ambiente tranquilo e seguro para os foliões.

Desafios e áreas que necessitam de melhorias

Apesar dos avanços, alguns aspectos do Carnaval de Belo Horizonte ainda apresentam oportunidades de aprimoramento. A questão dos banheiros químicos foi um ponto de crítica, mesmo com um aumento de 20% no número de cabines em relação ao ano anterior. Foliões relataram dificuldades de acesso, com estruturas posicionadas longe dos blocos, o que levou a casos de pessoas urinando nas ruas. A Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) defendeu o planejamento, que considerou pontos sensíveis como portas de casas e rotas de ambulâncias, mas reconheceu a necessidade de maior conscientização do público.

O financiamento dos blocos de rua também gerou controvérsias. A Prefeitura destinou R$ 3,21 milhões, beneficiando apenas 104 dos 612 blocos cadastrados, com valores variando entre R$ 14,6 mil e R$ 41,5 mil. Os organizadores apontaram problemas como o baixo valor do auxílio, o atraso nos repasses – concluídos a menos de duas semanas do carnaval – e a falta de diálogo sobre os critérios de distribuição. A Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos reivindicou formas não competitivas de acesso a verbas públicas e maior apoio da iniciativa privada, criticando a priorização de megaeventos em detrimento dos realizadores locais.

A organização de grandes eventos, como o Bloco Marinada da cantora Marina Sena, que reuniu cerca de 400 mil pessoas na Região da Pampulha, enfrentou desafios logísticos. Foliões reclamaram de atrasos de duas horas no início da apresentação, dificuldades de circulação e acesso limitado a água. A Belotur atribuiu os problemas à superlotação, mas afirmou que o evento ocorreu dentro da normalidade, com medidas de segurança para evitar incidentes.

Em resumo, o Carnaval de Belo Horizonte de 2026 consolidou-se como uma festa massiva e diversificada, impulsionando a economia local e oferecendo entretenimento de qualidade. No entanto, para as próximas edições, é essencial abordar questões como a infraestrutura de sanitários, o financiamento equitativo dos blocos e a logística de eventos de grande porte, garantindo que a folia continue a crescer de forma sustentável e inclusiva para todos os participantes.