Boi Tolo, bloco de carnaval do Rio, conquista atenção internacional com festa que 'não acaba nunca'
Uma reportagem do renomado jornal americano The New York Times, publicada nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, destacou o Boi Tolo, um dos blocos de carnaval mais autênticos do Rio de Janeiro. Com o título 'Uma festa de Carnaval do Rio que não acaba nunca', a matéria mergulhou nos detalhes de como este cortejo, que completou 20 anos, atraiu uma 'onda de milhares de foliões eufóricos' no último domingo, 15 de fevereiro.
Fervor e caos nas ruas cariocas
O NYT afirmou que 'poucas festas representam o fervor e o caos do carnaval de rua do Rio melhor do que o Boi Tolo'. Longe do glamour dos desfiles oficiais, o bloco personifica as celebrações informais e genuínas que tomam conta das ruas da cidade. Às 6h50 da manhã de domingo, a multidão na praça já contava com centenas de pessoas vestindo chapéus de caubói cravejados de joias e biquínis brilhantes, enquanto músicos irrompiam em uma sinfonia improvisada de metais, bateria e instrumentos de percussão.
Uma gigantesca corrente humana se formou ao redor da banda, paralisando o trânsito nas ruas estreitas. O jornal destacou que uma das poucas regras do Boi Tolo é manter-se em movimento, mesmo durante beijos apaixonados, e que o bloco não tem itinerário fixo, sendo descrito como 'uma onda de milhares de foliões eufóricos marchando pela cidade em ritmo frenético'.
Origem curiosa e tradição consolidada
A história de origem do Boi Tolo é tão peculiar quanto sua energia. Há duas décadas, um grupo de pessoas chegou a uma praça pública durante o domingo de carnaval, pronto para festejar, mas não encontrou nenhuma festa, aparentemente enganado por um anúncio de jornal. Frustrados, eles decidiram improvisar:
- Um vendedor de cerveja ali perto tinha um pandeiro.
- Alguém ligou para um amigo que tinha um tambor.
- Um trompetista solitário apareceu e se juntou ao grupo.
Então, um folião pegou um pedaço de papelão e, com batom, escreveu 'Boi Tolo', ou 'touro tolo', em referência ao anúncio enganoso. A tradição pegou e agora atrai dezenas de milhares de pessoas todos os anos, consolidando-se como um evento imperdível no calendário carnavalesco carioca.
Desafios e resistência dos foliões
O veículo americano descreveu o ritmo do Boi Tolo como 'exaustivo', comparando o carnaval a um esporte radical que exige garra e resistência. O calor intenso e o crescente número de participantes têm dificultado a diversão até mesmo para os mais resistentes. Neste ano, devido às altas temperaturas, o cortejo saiu mais cedo, mas a maioria dos foliões ainda demonstrou um apetite insaciável pela festa.
Após uma marcha de 12 horas pela cidade, centenas de foliões retornaram ao centro, onde tudo começou, com a luz do dia diminuindo. O Boi Tolo continua a ser um símbolo da vitalidade e da paixão do carnaval de rua do Rio, capturando a atenção internacional e mantendo viva a chama da celebração espontânea.



