Bloco das Bárbaras celebra 10 anos com protagonismo feminino em Santa Bárbara d'Oeste
Bloco das Bárbaras completa 10 anos com protagonismo feminino

Bloco das Bárbaras celebra 10 anos com protagonismo feminino em Santa Bárbara d'Oeste

Considerado o maior bloco carnavalesco de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, o Bloco das Bárbaras reuniu aproximadamente 30 mil pessoas na praça Dona Carolina, região central da cidade, nesta segunda-feira (16) de folia. O evento marcou a celebração de uma década de existência do bloco, que se tornou referência regional pelo protagonismo feminino no carnaval.

Uma década de história e empoderamento

Criado em 2016, o bloco completou dez anos de atividades com uma proposta que vai além da festa. Em 2026, desfilou com o tema "Carnaval sem Assédio. Não é Não e com respeito à Diversidade", conforme destacou a organização na divulgação. "É um bloco que surgiu com a idealização de um grupo feminino e a gente prega e continua caminhando", afirmou a organizadora Vivian Ignácio, reforçando o caráter pioneiro da iniciativa.

Festa com consciência e diversidade

Entre os participantes, muitos estavam fantasiados e animados. "Carnaval representa o povo brasileiro, é curtição e liberdade. É uma forma de expressão e todo mundo está confortável. Não tem problema a idade, o importante é estar aqui se divertindo", disse um dos foliões presentes. O bloco reuniu pessoas de todas as idades, incluindo aqueles com memórias afetivas ligadas às festividades carnavalescas desde a infância.

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O filmmaker Renato Santos compartilhou sua experiência: "Depois que eu criei uma memória afetiva sobre isso, sempre que eu consigo vir eu venho e me divirto muito. Todo mundo se une e fica muito feliz e muito animado, fica um astral lá em cima". Após a concentração na praça Dona Carolina, o Bloco das Bárbaras realizou o tradicional cortejo pela avenida Monte Castelo, em direção à praça central do município, em um trajeto de 1,5 km que foi percorrido com alegria pelos foliões.

Campanha contra o assédio ganha destaque

Paralelamente à celebração, o bloco reforçou uma importante campanha de combate ao assédio no Carnaval de Rua, desenvolvida em parceria com movimentos como Mulheres Livres de Piracicaba, Um Salve das Minas e a Delegacia da Mulher. A organização destacou: "Com a chegada do Carnaval, período marcado pela alegria, cultura popular e ocupação democrática dos espaços públicos, torna-se fundamental reforçar uma mensagem essencial: não é não".

A campanha busca conscientizar foliões sobre respeito, consentimento e responsabilidade coletiva, explicando que o assédio pode acontecer de forma verbal, física, gestual ou virtual. "Nenhuma delas deve ser naturalizada. Comentários invasivos, toques sem consentimento, perseguições, intimidações ou qualquer abordagem que cause constrangimento configuram violência e devem ser denunciados", ressaltaram os organizadores.

Orientações importantes para as foliãs

A iniciativa também forneceu medidas que as mulheres podem tomar em caso de assédio:

  1. Procure imediatamente apoio junto à organização do bloco, equipe de segurança ou pontos de apoio identificados
  2. Peça ajuda a outras mulheres e pessoas próximas, fortalecendo a rede de apoio
  3. Afaste-se do agressor e vá para um local seguro
  4. Registre a ocorrência, lembrando que o assédio é crime previsto no Código Penal Brasileiro
  5. Acione a Polícia Militar pelo 190, se necessário
  6. Ligue 180 para a Central de Atendimento à Mulher, que oferece orientação gratuita 24 horas
  7. Registre boletim de ocorrência em uma Delegacia de Defesa da Mulher

Responsabilidade coletiva pela segurança

A campanha reforça que a responsabilidade em caso de assédio nunca é da vítima. "Roupa, horário, local ou comportamento não justificam qualquer tipo de violência. Carnaval é festa, mas também é respeito", afirmaram os organizadores. Eles completaram: "Assédio não é brincadeira. Não é paquera. É violência. E tem consequência".

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Finalizando, a organização destacou o compromisso coletivo necessário: "Promover um Carnaval seguro é um compromisso coletivo. Blocos, organizadores, poder público e sociedade civil precisam atuar juntos para garantir que as ruas sejam espaços de celebração, cultura e liberdade — nunca de medo". O Bloco das Bárbaras, em seus dez anos de existência, demonstra que é possível unir festa, cultura popular e conscientização social em um mesmo evento.