Disputa política no Barcelona se intensifica com acusações sobre retorno de Messi
A disputa política no Barcelona ganhou novos e contundentes capítulos às vésperas da crucial eleição presidencial do clube, marcada para o próximo domingo. O clima nos bastidores ficou ainda mais tenso e polarizado após declarações explosivas do ex-treinador Xavi Hernández, que acusou publicamente o atual presidente, Joan Laporta, de ter impedido deliberadamente o retorno de Lionel Messi ao clube em 2023.
Xavi revela que Laporta bloqueou negociação com Messi
Em entrevista exclusiva ao prestigiado jornal espanhol La Vanguardia, Xavi afirmou, com todas as letras, que o astro argentino não voltou ao Barcelona após deixar o Paris Saint-Germain porque Laporta teria bloqueado pessoalmente a negociação. Segundo o ex-técnico e lenda do clube, a justificativa oficial amplamente divulgada – de que a contratação não ocorreu por causa das rígidas regras financeiras da La Liga ou por exigências salariais exorbitantes de Messi – não corresponde à realidade dos fatos.
De acordo com o relato detalhado de Xavi, o próprio presidente do clube teria deixado claro, em conversas internas, que não desejava a volta do craque histórico. "Laporta disse diretamente que, caso Messi retornasse, isso poderia provocar um sério conflito interno de poder dentro do clube", revelou o ex-jogador, que também contou ter conversado pessoalmente com Jorge Messi, pai e empresário do atacante, na tentativa frustrada de entender por que as negociações não avançaram.
Ex-diretor esportivo reforça versão e La Liga nega autorização
A polêmica ganhou ainda mais repercussão e credibilidade depois que o ex-diretor esportivo do Barcelona, Mateu Alemany, reforçou publicamente a versão apresentada por Xavi. Em entrevista à emissora espanhola Movistar, Alemany afirmou categoricamente que havia uma percepção generalizada dentro da diretoria do clube de que a La Liga permitiria, sim, a inscrição de Messi, contradizendo o discurso oficial.
Diante das graves acusações, o presidente da La Liga, Javier Tebas, decidiu se manifestar publicamente para negar veementemente que a liga espanhola tenha autorizado qualquer operação para o retorno do argentino. Segundo Tebas, o Barcelona simplesmente não tinha condições financeiras para registrar Messi naquele momento e sequer teria apresentado um pedido formal à entidade reguladora.
"Pelas regras do controle financeiro da liga, a contratação seria inviável, independentemente do valor do contrato", afirmou o dirigente, que também comparou a situação com o caso do português João Félix. Este foi emprestado pelo Atlético de Madrid ao Barcelona na temporada 2023/24, com relatos de que o jogador teria reduzido temporariamente seu salário para cerca de 400 mil euros anuais, permitindo sua inscrição – um acordo posteriormente questionado por suspeitas de contornar as regras de fair play financeiro.
Tensão máxima antes da eleição presidencial
Com a eleição presidencial do clube se aproximando rapidamente, as trocas de acusações envolvendo Messi, Laporta e altos dirigentes da liga aumentaram dramaticamente a tensão nos bastidores do Barcelona. O caso expõe feridas profundas e disputas de poder que prometem influenciar diretamente o pleito decisivo, colocando em xeque as narrativas oficiais e a transparência da gestão atual.
As revelações de Xavi não apenas reacendem o debate sobre um dos episódios mais sensíveis da recente história do clube, como também lançam uma sombra de desconfiança sobre os motivos reais por trás da não-contratação de um dos maiores ídolos da torcida, em um momento político extremamente delicado para a instituição catalã.
