Vasco-AC perde patrocinadores após contratação de Bruno Fernandes e apoio a jogadores presos
Vasco-AC perde patrocinadores após contratação polêmica

Vasco-AC enfrenta crise institucional com perda de patrocínios após contratação polêmica

Em um dia marcado por controvérsias que transcendem as quatro linhas, o Vasco da Gama do Acre (Vasco-AC) viu dois de seus patrocinadores anunciarem o rompimento de contratos nesta sexta-feira (20). A decisão ocorre após a contratação do goleiro Bruno Fernandes, condenado por homicídio, e a prisão de quatro jogadores do clube suspeitos de estupro coletivo, eventos que geraram forte rejeição pública e institucional.

Patrocinadores cortam vínculos em meio a escândalos

O primeiro a se pronunciar foi a rede de supermercados Arasuper, que emitiu uma nota oficial declarando o fim da parceria estabelecida em dezembro de 2025. A empresa justificou a medida com base em "acontecimentos recentes envolvendo o clube" e uma avaliação interna pautada em diretrizes administrativas e estratégicas. Em conversa com o ge, Adem Araújo, sócio da Arasuper e presidente da Federação de Futebol do Acre (FFAC), foi direto ao afirmar que a contratação de Bruno Fernandes foi o principal motivo para a ruptura.

"A gente sentiu que a sociedade não aprova esse tipo de coisa, não aprova que a marca da empresa esteja aliada a um clube que contrata dessa forma, contrata um atleta que não é bem visto", destacou Araújo, refletindo o descontentamento da opinião pública.

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Na sequência, o Restaurante Picanha Mix também divulgou comunicado encerrando todos os vínculos com o Vasco-AC. A empresa foi enfática ao repudiar condutas que envolvam "graves denúncias de violência contra mulheres", reafirmando seu compromisso com a defesa das vítimas de violência doméstica.

Homenagem polêmica e estreia conturbada

Na véspera das rupturas, durante a partida contra o Velo Clube pela Copa do Brasil na quinta-feira (19), o Vasco-AC protagonizou um ato que intensificou a crise. A equipe entrou em campo com camisas estampando os nomes de três dos quatro jogadores presos pela investigação de estupro coletivo no alojamento do time, em Rio Branco. Os atletas, que negam as acusações, posaram para fotos segurando os uniformes em um gesto público de apoio, com a participação do goleiro Bruno Fernandes.

Bruno, que está em liberdade condicional após condenação a 22 anos de prisão pelo homicídio de Eliza Samudio, teve sua contratação regularizada no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF na quarta-feira (18). Ele estreou como titular, defendendo dois dos cinco pênaltis na derrota por 3 a 2 nas cobranças, após empate de 1 a 1 no tempo normal, resultando na eliminação do Vasco-AC da competição nacional.

"É bom estar no Acre e ser acolhido, um estado que me acolheu desde 2021 quando passei aqui", declarou o goleiro em transmissão da FFAC, contrastando com a tensão do entorno.

Reações internas e contexto investigativo

O treinador e principal investidor do Vasco-AC, Eric Rodrigues, minimizou o impacto da saída do Arasuper, classificando o patrocínio como "mísero" e afirmando que não alteraria o planejamento do clube. Ele não comentou sobre o rompimento com o Picanha Mix. Rodrigues também criticou a delegada responsável pelo caso dos jogadores presos, alegando que a intimação de sete atletas para depor na manhã do jogo foi uma tentativa de "mexer com o psicológico dos garotos".

A investigação sobre o estupro coletivo continua, com as duas mulheres vítimas tendo formalizado denúncia. O caso ocorreu no alojamento do time na capital acreana, levantando questões sobre a cultura dentro do clube e a responsabilidade institucional.

Com a eliminação da Copa do Brasil e a perda de apoio comercial, o Vasco-AC se vê em uma encruzilhada que envolve ética, imagem pública e futuro esportivo. As notas integrais dos patrocinadores reforçam o distanciamento de marcas que não desejam associar seus nomes a controvérsias criminais e sociais, em um alerta para o mundo do futebol sobre as consequências de decisões polêmicas.

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