Justiça concede liberdade a professora da Unicamp acusada de furto de vírus em laboratório de alta segurança
Liberdade a professora da Unicamp acusada de furto de vírus

Justiça concede liberdade provisória a professora acusada de furto de vírus em laboratório da Unicamp

A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, suspeita de furtar amostras virais de um laboratório de virologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O material biológico foi retirado de uma área classificada como nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é o mais alto atualmente disponível no Brasil para estudo de agentes infecciosos, conforme detalhado no Termo de Audiência que autorizou a soltura.

Crimes imputados e riscos envolvidos

Soledad Palameta Miller responderá judicialmente por três crimes: expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual. As amostras furtadas pertencem à classe de risco 3, onde agentes infecciosos apresentam alto risco individual e moderado para a comunidade, podendo causar doenças graves ou letais, com transmissão especialmente pelo ar. Exemplos incluem o Bacillus anthracis e o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

As investigações revelaram que a professora, sem laboratório próprio na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), utilizava sua orientanda de mestrado para acessar laboratórios, inclusive em finais de semana. O material foi movimentado e armazenado em ambientes não controlados, com descarte em lixeiras comuns, configurando exposição direta e iminente à saúde de terceiros.

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Localização das amostras e cronologia do caso

A Polícia Federal encontrou as amostras virais em três locais dentro da Unicamp:

  • Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): caixas com amostras em um freezer lacrado.
  • Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e abertos no freezer de outra professora.
  • Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): frascos descartados em uma lixeira.

A cronologia dos fatos inclui:

  1. 13 de fevereiro de 2026: desaparecimento das amostras do Laboratório de Virologia Animal.
  2. 23 de março: PF localiza o material e interdita laboratórios; Soledad é presa em flagrante.
  3. 24 de março: Justiça concede liberdade provisória, mencionando que se trata de vírus.

Condições da liberdade e reação institucional

Com a expedição do alvará de soltura, a professora responderá ao processo em liberdade, mas deve cumprir regras determinadas pela Justiça:

  • Comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal.
  • Pagar fiança de dois salários-mínimos.
  • Proibição de deixar Campinas por mais de cinco dias ou sair do país sem autorização prévia.
  • Proibição de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação.

A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso e acionou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido à gravidade do fato. As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas, apesar da interdição temporária de todos os laboratórios da FEA.

Contexto e perfil da pesquisadora

Soledad Palameta Miller é professora doutora da Unicamp, coordenando o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com foco em vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos. Ela possui experiência prévia no Laboratório Nacional de Biociências do CNPEM e realizou pós-doutorado na Unicamp em projetos de vacinas e diagnósticos veterinários.

Enquanto isso, o Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 de biossegurança (máximo), está em construção em Campinas, com previsão de conclusão para 2027, destacando a importância de protocolos de segurança em pesquisas com agentes infecciosos.

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