Alertas de pilotos antecederam tragédia aérea no Aeroporto LaGuardia
Pilotos que operaram no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, Estados Unidos, registraram uma série de alertas sobre problemas de segurança meses antes do acidente fatal que ocorreu no domingo (23), quando um avião da Air Canada Express colidiu com um caminhão de bombeiros na pista. O incidente resultou na morte do piloto e copiloto, além de deixar 41 feridos, incluindo dois funcionários que estavam no veículo de emergência.
Reclamações documentadas no sistema da Nasa
O g1 teve acesso a relatórios do sistema de notificação de segurança da aviação administrado pela Nasa, que revelam preocupações expressas por profissionais da aviação sobre riscos de acidentes no terminal nova-iorquino. Os registros, divulgados inicialmente pela imprensa americana e pelo jornal britânico The Guardian, mostram um padrão de alertas que antecederam a tragédia.
Em uma das reclamações, datada de agosto de 2025, um piloto afirmou que os controladores aéreos não forneceram informações adequadas sobre aeronaves nas proximidades, criticando ainda o ritmo acelerado das operações no LaGuardia. O profissional comparou a situação com o Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, e alertou: "Os controladores estão sobrecarregados. Por favor, façam alguma coisa".
Relatos detalhados de situações de risco
Outros pilotos descreveram incidentes preocupantes em seus relatórios. Em maio de 2025, um comandante afirmou que precisou realizar uma manobra de arremetida durante a aproximação porque havia outra aeronave ainda na pista. Segundo o relato, o avião estava a aproximadamente 150 metros de altura quando a ação foi iniciada para evitar uma colisão iminente.
Já em junho de 2024, um piloto relatou ter recebido autorização para decolagem mesmo com outra aeronave ainda na pista. O profissional tentou atrasar a operação por questões de segurança e descreveu: "A outra aeronave já havia decolado e ultrapassado o final da pista quando iniciamos a corrida de decolagem. Mas não sei por que precisava ser tão perto. Isso acabou bem, mas acho que estamos ultrapassando os limites e um acidente vai acontecer mais cedo ou mais tarde".
Histórico de incidentes aéreos nos Estados Unidos
O acidente no Aeroporto LaGuardia ocorre em um contexto de crescentes preocupações sobre a segurança do controle aéreo nos Estados Unidos, onde uma série de quase colisões tem sido registrada nos últimos anos.
- Em fevereiro de 2023, um avião cargueiro da FedEx e uma aeronave da Southwest com 128 pessoas a bordo quase colidiram no ar em Austin, Texas, chegando a uma distância de apenas 52 metros.
- Em julho de 2024, dois aviões comerciais ficaram a cerca de 200 metros de distância em Syracuse, estado de Nova York, após um controlador permitir que uma aeronave se aproximasse da pista enquanto outra decolava.
- Dois meses depois, um avião da Alaska Airlines com 182 passageiros precisou abortar a decolagem no Aeroporto Internacional de Nashville para evitar colisão com outra aeronave.
- Em janeiro de 2025, um avião da American Eagle colidiu contra um helicóptero militar em Washington D.C., próximo ao Aeroporto Nacional Reagan, tragédia que resultou em 67 mortes.
- No mês seguinte, um avião comercial realizou manobra de arremetida para evitar colisão com jato privado em Chicago.
- Em 17 de março deste ano, um avião da Alaska Airlines e um cargueiro da FedEx quase colidiram no aeroporto de Newark, Nova Jersey, quando uma das aeronaves precisou arremeter para evitar batida em pistas que se cruzavam.
Especialistas apontam causas estruturais
De acordo com analistas da aviação, a sobrecarga nas operações de controle aéreo e a falta de pessoal qualificado estão entre os principais fatores que contribuem para o aumento do risco de acidentes no sistema aeroportuário americano. Os relatórios da Nasa reforçam essas preocupações, demonstrando que os alertas dos pilotos não eram isolados, mas parte de um padrão que exigia atenção das autoridades reguladoras.
O acidente no Aeroporto LaGuardia destaca a urgência de revisão dos protocolos de segurança e investimento em infraestrutura e recursos humanos para prevenir novas tragédias na aviação civil dos Estados Unidos.



