Senegal recorre à Corte Arbitral do Esporte após decisão polêmica da CAF
A Federação Senegalesa de Futebol anunciou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que vai recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) contra a decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) que retirou o título conquistado pelo país na Copa Africana de Nações (CAN) e declarou Marrocos como vencedor da competição.
Decisão considerada "injusta e sem precedentes"
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a federação senegalesa afirmou que "denuncia uma decisão injusta, sem precedentes e inaceitável, que desacredita o futebol africano". A entidade garantiu que, para a defesa dos seus direitos e dos interesses do futebol senegalês, apresentará um recurso de apelação ao CAS em Lausanne no prazo mais breve possível.
O comitê de apelações da CAF retirou o título conquistado pelo Senegal na CAN em 18 de janeiro e declarou Marrocos o país vencedor, conforme anunciou a entidade máxima do futebol africano na noite de terça-feira, 17 de março. A decisão baseou-se nos artigos 82 e 84 do regulamento da CAN, que estabelecem que, se uma equipe "se recusar a jogar ou abandonar o campo antes do apito final, será considerada perdedora e eliminada definitivamente da competição".
O incidente que gerou a polêmica
Durante a final da Copa Africana de Nações em Rabat, no Marrocos, em 18 de janeiro, os 'Leões de Teranga' venceram um jogo caótico por 1 a 0. Após um pênalti marcado para a seleção marroquina nos acréscimos do segundo tempo, logo depois de um gol do Senegal ter sido anulado, alguns jogadores senegaleses deixaram brevemente o campo em protesto contra uma decisão da arbitragem antes de retornarem para a partida.
Enquanto isso, torcedores revoltados tentaram invadir o gramado e atiraram objetos. Depois que o ponta marroquino do Real Madrid, Brahim Díaz, perdeu a penalidade cobrada com uma 'cavadinha', a partida foi para a prorrogação, que o Senegal venceu graças a um gol de Pape Gueye.
Precedente histórico e justificativas
A CAF decidiu "declarar a seleção do Senegal excluída durante a final" vencida por 1 a 0 pelos senegaleses, "com o resultado oficialmente registrado como 3 a 0" a favor da seleção marroquina. Em comunicado, a Federação Marroquina de Futebol afirmou que sua iniciativa "nunca teve a intenção de questionar o desempenho esportivo das equipes participantes desta competição, mas apenas de solicitar a aplicação do regulamento".
Uma fonte próxima à Federação Marroquina de Futebol lembrou um precedente em outra competição africana: em 2019, o Espérance Sportive de Tunis foi declarado campeão da Liga dos Campeões da CAF, três meses após os jogadores do Wydad Casablanca terem abandonado o campo durante a final em protesto contra uma decisão do VAR.
Consequências disciplinares e judiciais
No final de janeiro, o órgão disciplinar da CAF impôs uma série de sanções disciplinares, incluindo multas que somam centenas de milhares de euros, às federações de ambos os países por conduta antidesportiva e violações dos princípios do fair play, sem questionar o resultado final daquela partida.
Paralelamente, a audiência de apelação de 18 torcedores senegaleses, presos desde a final e condenados a penas de prisão entre três meses e um ano por vandalismo, que estava marcada para segunda-feira, foi adiada para o dia 30 de março.
A polêmica decisão da CAF gerou intenso debate no cenário do futebol africano, com muitos especialistas questionando a aplicação rígida do regulamento em um contexto de protesto momentâneo durante uma partida de final de campeonato continental.



