Ônibus histórico do América-SP é vendido e será restaurado em homenagem familiar
Ônibus do América-SP vendido para restauração como tributo

Ônibus histórico do América-SP inicia nova jornada após venda para restauração

Um capítulo emocionante da história do futebol paulista está prestes a ser preservado. O ônibus Marcopolo III, fabricado em 1982, que por nove anos transportou os jogadores do América-SP para partidas fora de São José do Rio Preto, foi vendido e agora será completamente restaurado. O veículo, que estava parado no Estádio Benedito Teixeira (Teixeirão) desde 2017, despertou comoção nas redes sociais quando imagens de seu guincho surgiram há duas semanas, com muitos torcedores temendo que fosse para a sucata.

Uma descoberta que emociona

O empresário Leonardo Capatto, de Artur Nogueira, foi quem adquiriu o ônibus após encontrá-lo através de fotos em um site especializado. "Nós somos uma pequena empresa de ônibus e tudo começou com um modelo desse aí", explica Leonardo, que também atua como motorista e eletricista na empresa familiar, já na terceira geração. "Meu pai tinha um ônibus que ele mesmo dirigia e ficava na frente da minha casa, então eu cresci dentro desses ônibus e sempre procurei um exemplar desse para fazer um tributo".

Preservação notável do interior

Um dos aspectos mais surpreendentes da aquisição é o estado de conservação do interior do veículo. Todos os bancos, luminárias, luzes de leitura, maleiros e acessórios originais estão intactos, uma raridade considerando que muitos ônibus similares foram transformados em motorhomes, processo que normalmente destrói o interior original. "E exatamente o que a gente quer é achar preservado. Então é sempre uma briga. Os acabamentos deles eram mais frágeis, então é difícil de achar. E esse carro aí preservou tudo isso", comemora o empresário.

Restauração como tributo familiar

Leonardo estima que os custos da restauração serão três vezes superiores ao valor pago pelo ônibus, especialmente considerando desafios como o motor Volvo B58, que está parado há anos e ainda não foi testado. O processo cuidadoso incluirá troca de filtros e óleo antes da primeira partida para evitar danos. A restauração seguirá as cores da primeira empresa da família Capatto, fundada pelo avô Acácio em 1966 com uma Kombi, mas não esquecerá a história com o América-SP.

"Vamos encontrar um cantinho nele para colocar uma placa registrando que ele pertenceu ao clube e fez o transporte dos jogadores, com alguma foto simbólica de um jogo", adianta Leonardo. Antes de servir ao time, o veículo também pertenceu às empresas Viação Itamarati e Viação Rio Preto.

Decisão consciente do clube

O presidente do América, Marcos Vilela, explicou que a venda foi a melhor solução após avaliar que o conserto não seria viável economicamente. "Após orçar o conserto do ônibus com três mecânicos, concluiu-se que não seria viável porque o valor ficaria muito alto e, além disso, poderia haver problemas constantes", relatou. A diretoria do clube garantiu que nunca venderia o veículo para sucata, buscando especificamente alguém interessado em restaurá-lo.

"Graças a Deus conseguimos negociar e chegar num valor que era interessante para o América e para esta empresa", completou Vilela, que desde outubro de 2024 trabalha para recuperar a imagem do clube e melhorar as condições do Teixeirão.

Próximos passos da restauração

O ônibus já se encontra no pátio da empresa de Leonardo em Artur Nogueira, aguardando uma vaga na funilaria para dar início ao processo de restauração. Os 316 quilômetros entre Rio Preto e Artur Nogueira marcaram o início desta nova fase, onde o veículo será transformado em um símbolo vivo da história do transporte familiar e do futebol regional.

"Tenho certeza que ele vai ficar bem bonito e nós vamos fazer ele preservando o máximo de características originais que conseguirmos", finaliza Leonardo, com a expectativa de que o projeto honre tanto a memória de sua família quanto a história esportiva do América-SP.