Exposição inclusiva no Pará oferece arte tátil para pessoas cegas
Exposição inclusiva no Pará oferece arte tátil para cegos

A exposição inclusiva “Anãma Tapajós: Histórias e Memórias Impressas no Barro” continua aberta ao público até o próximo dia 22 de maio, no Centro Cultural João Fona, localizado na orla de Santarém, oeste do Pará. A mostra se destaca como um exemplo significativo de acessibilidade cultural na região.

Na última sexta-feira (15), aproximadamente 20 pessoas cegas ou com baixa visão participaram de uma visita sensorial à exposição. A experiência foi marcada pela inclusão, autonomia e conexão com a arte por meio do tato e da audição. A ação envolveu membros da Associação Santarena para Inclusão de Pessoas Cegas e com Baixa Visão (ASSIC), que puderam explorar nove peças em alto-relevo, acompanhadas de recursos de audiodescrição criados especialmente para garantir acessibilidade.

Primeira experiência adaptada

Para muitos visitantes, esta foi a primeira oportunidade de participar de uma exposição adaptada às suas necessidades. O artista visual Vítor Matos, responsável pelas obras, destacou que o projeto surgiu da necessidade de ampliar o acesso à arte para pessoas com deficiência visual. “A arte tem que ser acessível e inclusiva”, afirmou o artista.

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A exposição foi realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Incentivo à Cultura, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. No idioma tupi-guarani, a palavra “anãma” significa família, povo e ancestralidade, conceitos que permeiam toda a proposta artística.

Benefícios além da deficiência visual

A consultora em audiodescrição Andréa Simone Colares ressaltou que o recurso beneficia não apenas pessoas cegas, mas também aquelas com baixa visão, autistas, disléxicas e analfabetas. “Quando ouvi a audiodescrição ao mesmo tempo em que tocava as peças, consegui compreender melhor cada detalhe. Antes, eu conhecia esse recurso apenas na teoria, mas agora tive a oportunidade de vivenciá-lo na prática”, explicou.

O presidente da ASSIC, professor Jeter Rezende, afirmou que iniciativas como essa representam um avanço importante na democratização do acesso à cultura. “Precisamos de pessoas apaixonadas pela acessibilidade e pela promoção de autonomia e cidadania às pessoas com deficiência”, declarou.

Emoção e inspiração

Entre os visitantes, a emoção foi evidente. A auxiliar de serviços gerais Viviane Miranda, de 47 anos, contou que voltou ao museu após décadas e viveu um momento especial ao poder tocar as peças. “Quando vim aqui pela primeira vez, eu era muito nova e não tive essa oportunidade. Hoje, poder sentir as obras com as mãos é algo muito gratificante”, afirmou.

Sabrina Kelly dos Santos participou pela primeira vez de uma exposição com audiodescrição e destacou a importância da iniciativa. “É um passo muito importante. Espero que essa experiência inspire outros artistas a produzirem materiais acessíveis”, disse.

Detalhes da exposição

A mostra reúne 95 peças artísticas, incluindo remos em madeira, pinturas, tecidos e esculturas em barro, propondo uma imersão nas narrativas amazônicas ligadas à memória, território e ancestralidade. A exposição pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no Centro Cultural João Fona. Grupos escolares podem agendar visitas guiadas pelo e-mail centroculturaljoaofona.semc@gmail.com.

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