
O clima pesado tomou conta do Cemitério da Penitência, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira (28). Familiares, amigos e vizinhos se reuniram para a última despedida de Carlos Alberto da Silva, de 70 anos — uma figura que marcou época como presidente da Associação de Moradores do Antares.
E não foi um adeus qualquer. O coração de quem esteve lá parecia bater mais devagar, cada abraço mais apertado, cada olhar mais demorado. A dor, essa companheira indesejada, se fez presente em cada canto.
A notícia da morte dele correu como um choque pela comunidade. Carlos Alberto foi encontrado sem vida dentro de casa, no Conjunto Antares, na madrugada de quarta-feira (27). A Polícia Civil já corre atrás de pistas — e a principal linha de investigação aponta para assassinato. Sim, assassinato. A suspeita? Roubo seguido de morte, esse mal que insiste em assombrar a cidade.
Uma vida dedicada à comunidade
Quem era Carlos Alberto? Muito mais que um nome num cargo. Era o tipo de pessoa que não media esforços para ajudar. O morador que não fechava a porta para o problema alheio. Durante seu tempo à frente da associação, ele travou batalhas diárias por melhorias — água, luz, segurança, dignidade.
E agora, justo ele, um defensor da paz no bairro, ter partido de forma tão violenta. A ironia cruel não passa despercebida por ninguém.
O silêncio que fala mais que palavras
No velório, poucas palavras. Muitos olhos vermelhos. Muitas mãos dadas. Parentes próximos evitavam falar com a imprensa — a ferida ainda aberta demais, a dor recente demais. Um familiar, que preferiu não se identificar, soltou apenas: "Ele era bom demais. Não merecia terminar assim".
E enquanto o corpo era levado para a sepultura, uma pergunta pairava no ar, ecoando em pensamento entre todos presentes: até quando? Até quando vidas serão interrompidas pela violência que não escolhe vítima?
O Instituto Médico Legal (IML) já realizou a autópsia, mas o laudo final ainda depende de exames complementares. A expectativa agora é por justiça — que a polícia encontre os responsáveis e que a família possa, um dia, encontrar algum tipo de paz.
Carlos Alberto deixa filhos, netos e uma comunidade que hoje chora não só um líder, mas um amigo.