Béla Tarr, mestre do cinema lento e diretor de 'Sátántangó', morre aos 70 anos
Morre Béla Tarr, diretor húngaro de 'Sátántangó'

O mundo do cinema está de luto com a morte do renomado diretor húngaro Béla Tarr, confirmada nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026. Ele tinha 70 anos. A notícia foi divulgada pela Academia de Cinema da Europa, instituição da qual o artista fazia parte desde 1997.

Um legado marcado pelo tempo e pela política

O comunicado da Academia informou que Tarr enfrentava uma doença grave há um longo período, mas não especificou a causa da morte. A organização prestou homenagem, descrevendo-o como "um diretor excepcional e por sua personalidade, marcada por uma forte voz política". A família do cineasta pediu privacidade à imprensa e esclareceu que não emitirá declarações durante este momento difícil.

Nascido na cidade de Pécs em 1955, Béla Tarr iniciou sua carreira no início dos anos 1980, focando em um cinema social que retratava a vida das pessoas comuns. No entanto, foi em 1988, com o filme "Danação", que ele começou a consolidar o estilo vagaroso e contemplativo que o tornaria uma figura icônica mundialmente.

"Sátántangó" e a consagração do cinema lento

Sua obra mais conhecida e frequentemente citada entre os maiores filmes da história é "Sátántangó" (O Tango de Satã), lançada em 1994. Com uma duração desafiadora de sete horas e meia, o longa é uma adaptação do romance homônimo do escritor László Krasznahorkai. A obra é considerada a obra-prima de Tarr e um marco fundamental do movimento conhecido como "cinema lento".

Este estilo cinematográfico, que tem predecessores como Andrei Tarkovsky e Chantal Akerman, caracteriza-se por planos-sequência longos, poucos diálogos, estruturas narrativas não convencionais e uma abordagem profunda de tramas aparentemente mundanas. Tarr elevou essa vertente a um patamar de reconhecimento crítico internacional.

Da direção ao ensino e às instalações artísticas

Béla Tarr anunciou sua aposentadoria da direção de longas-metragens em 2011, mas não se afastou da criação artística. Nos anos seguintes, seu interesse migrou para projetos multimídia e instalações que mesclavam audiovisual, teatro e espaços museológicos.

Seu projeto mais recente foi "Missing People" (2019), uma instalação ambiciosa que envolveu a participação de 250 moradores de rua de Viena, na Áustria. Além disso, entre 2012 e 2016, ele dedicou-se ao ensino, liderando a escola Film.Factory em Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina.

Durante seu período à frente da instituição, Tarr convidou nomes de peso do cinema mundial para lecionar, como as atrizes Tilda Swinton e Juliette Binoche, e os diretores Apichatpong Weerasethakul e Gus Van Sant. Sua morte encerra a trajetória de um dos cineastas mais originais e influentes de sua geração, cujos filmes continuarão a desafiar e inspirar públicos e cineastas ao redor do globo.