O astro de Hollywood George Clooney usou uma entrevista à revista americana Variety para fazer duras críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às principais redes de televisão do país. O ator, conhecido por seu ativismo político, expressou indignação com o que chamou de submissão das emissoras CBS e ABC aos "desmandos" do então mandatário.
Críticas às emissoras e ao acordo milionário
Clooney foi direto ao ponto. Ele afirmou que, na sua visão, se a CBS e a ABC tivessem enfrentado os processos movidos por Trump e o tivessem mandado "se foder", a situação política do país seria diferente hoje. "Essa é a pura verdade", declarou o ator, sem rodeios.
O artista se referia a episódios específicos. Em julho do ano passado, a Paramount Global, conglomerado que controla a CBS, aceitou pagar uma multa de US$ 16 milhões (cerca de R$ 87,5 milhões) para encerrar um processo judicial movido por Donald Trump. A ação acusava a emissora de favorecer a então candidata à vice-presidência, Kamala Harris, durante a campanha eleitoral de 2024.
Poucos meses depois, a ABC viu um de seus programas de maior audiência, o talk show de Jimmy Kimmel, ser suspenso temporariamente pelo órgão regulador de mídia do governo Trump. Para Clooney, esses fatos simbolizam uma capitulação do jornalismo.
Alerta sobre o desmonte da CBS News
Filho do jornalista Nick Clooney, George disse ter ficado ainda mais alarmado com a contratação da comentarista conservadora Bari Weiss para o cargo de editora-chefe da CBS News, uma mudança que ele interpretou como uma tentativa de "amansar" o presidente na época.
"Bari Weiss está desmantelando a CBS News enquanto conversamos aqui", alertou o ator. "Estou preocupado sobre como vamos nos informar e como vamos discernir a realidade sem uma imprensa funcional", continuou, refletindo sobre os desafios do momento. Ele incentivou as pessoas a encontrarem uma forma positiva de seguir em frente, sem desistir.
De amigo "brincalhão" a adversário político
A entrevista também revelou um passado de proximidade entre Clooney e Trump, antes da escalada política deste último. O ator contou que conhecia o empresário "muito bem", que eles se encontravam frequentemente e que Trump até o ajudou a conseguir um cirurgião de coluna uma vez. "Ele é brincalhão, um pateta. Bom, ele era. Tudo isso mudou", disse Clooney, demarcando a ruptura.
A relação hoje é de confronto aberto. Na última terça-feira (30), George Clooney, sua esposa Amal e os dois filhos do casal, Alexander e Ella, obtiveram a cidadania francesa. A família já mora no país desde 2021, em uma fazenda, buscando fugir da cultura de Hollywood e do assédio dos paparazzi.
Ao saber da notícia, Donald Trump usou sua rede social, Truth Social, para atacar o casal. Chamou George e Amal de "dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos" e criticou a política de imigração da França, comparando-a à dos EUA sob o presidente Joe Biden. Ele também desdenhou da carreira cinematográfica de Clooney, chamando-o de "ator medíocre" que ganhou mais publicidade na política do que no cinema.
Clooney respondeu com ironia nas redes sociais, dizendo que "concorda totalmente com o presidente" e parafraseou o famoso slogan de campanha de Trump: "Temos que fazer a América grande novamente. Vamos começar em novembro", escreveu, referindo-se às próximas eleições legislativas americanas.
Convite irônico da editora da CBS
A editora-chefe da CBS News, Bari Weiss, também entrou na discussão pública. Em resposta às críticas de Clooney, ela postou um convite irônico ao ator, aproveitando para comentar sua nova cidadania. "Bounjour, Sr. Clooney", começou a mensagem.
"Sou uma grande fã do seu trabalho. Parece que você gostaria de conhecer mais sobre o nosso. Esse é um convite aberto para uma visita ao centro de transmissão da CBS", escreveu Weiss, informando que trabalharia durante as festas de fim de ano no relançamento do Evening News, com estreia marcada para 5 de janeiro. Até o momento, George Clooney não respondeu ao convite.



