Séries como 'The Boys' expõem as engrenagens do fascismo e alertam sobre autoritarismo
Séries expõem fascismo e alertam sobre autoritarismo no mundo real

Séries televisivas iluminam as engrenagens obscuras do fascismo e autoritarismo

A explosiva quinta e última temporada de The Boys, disponível no Prime Video, intensifica sua crítica contundente ao fascismo e ao autoritarismo, colocando o Capitão Pátria como um líder populista perigosamente carismático. A série, juntamente com outras produções como Mussolini: o Filho do Século e Os Testamentos, funciona como um alerta vital para os perigos da desinformação, da opressão sistêmica e da erosão democrática no cenário mundial atual.

Narrativas distópicas refletem realidades alarmantes

Em uma cena emblemática, o super-herói Capitão Pátria, interpretado por Antony Starr, discursa para uma multidão de apoiadores fervorosos, com símbolos religiosos e a bandeira americana ao fundo, prometendo uma "nova aurora dourada" após deter opositores em "campos de liberdade". A narrativa é habilmente interrompida por um vídeo comprometedor, que rapidamente é descartado como fake news gerada por inteligência artificial por sua equipe de comunicação. "Inundamos a internet com tanta desinformação que ninguém mais sabe o que é real", comemora um assessor, ilustrando mecanismos contemporâneos de manipulação da verdade.

Baseada na história em quadrinhos homônima, The Boys surgiu em 2019 como uma provocação audaciosa. Enquanto os super-heróis da Marvel dominavam as bilheterias com narrativas maniqueístas, a realidade política via a ascensão de líderes populistas que colocavam democracias consolidadas em estado de alerta. A série não precisou de grandes explicações ao apresentar seu elenco de heróis maquiavélicos, que possuem poderes extraordinários, mas os utilizam apenas para benefício próprio e manutenção do poder.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O contexto geopolítico impulsiona a ficção antifascista

Impulsionada pelo cenário geopolítico atual, a ficção televisiva recente se posicionou como uma trincheira antifascista, com tramas que expõem preconceitos disfarçados de patriotismo e a opressão como justificativa para a ordem autoritária. A genialidade de The Boys reside em transformar ícones tradicionais do bem, os super-heróis, em protagonistas vilanescos. Outras produções seguiram caminhos similares:

  • Mussolini: o Filho do Século: Minissérie disponível na Mubi que narra a ascensão do ditador italiano Benito Mussolini, mostrando os mecanismos de sua tomada de poder.
  • O Homem do Castelo Alto: Originalmente do Prime Video e agora na Netflix, a série explora um cenário alternativo onde os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial e dominaram a América.
  • Os Testamentos: Derivada de The Handmaid's Tale, esta produção do Disney+ se ambienta quinze anos após o golpe de Estado em Gilead, focando em jovens mulheres criadas dentro de uma sociedade teocrática e opressora.

"Espero que a série seja um chamado à ação, não podemos perder a esperança", afirmou a atriz Chase Infiniti, que interpreta Agnes em Os Testamentos. "Mesmo se você sente que não tem voz, é preciso lutar, pois pequenas ações geram grandes mudanças."

Alerta coletivo contra a repetição dos erros históricos

O objetivo nobre unifica todas essas produções: ao iluminar personagens controversos e detalhar sua ascensão ao poder, elas servem como alerta contundente para os riscos do autoritarismo. Nem todas alcançaram o mesmo sucesso comercial; enquanto The Boys conquistou cinco temporadas, Mussolini: o Filho do Século permaneceu apenas na primeira, apesar de sua qualidade narrativa. Sua mensagem, no entanto, permanece indelével: a humanidade cometeu atrocidades no passado, e permitir qualquer repetição constitui um erro coletivo gravíssimo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Eric Kripke, criador e roteirista de The Boys, refletiu sobre a conexão da série com a realidade: "Nós continuamos fazendo o que sempre fizemos, que é espelhar o que vemos no mundo. Me parece que o mundo está cada vez mais louco. Então, é muito orgânico para a série ficar também cada vez mais louca." Kripke também anunciou projetos futuros, incluindo a série Vought Rising, ambientada nos anos 1950, e mais temporadas de Gen V.

O que essas séries esperam que o público assimile? Fundamentalmente, que qualquer figura que se apresente como salvadora provavelmente está mentindo e buscando tirar proveito. Em um momento onde a desinformação se propaga rapidamente e discursos autoritários ganham espaço, essas narrativas funcionam como espelhos críticos da sociedade, convidando à reflexão e à ação para preservar os valores democráticos.