Deputada do PL ameaça usar Lei Maria da Penha contra Erika Hilton em comissão
Deputada ameaça usar Lei Maria da Penha contra colega em comissão

Conflito na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher gera ameaça de uso da Lei Maria da Penha

A deputada federal Rosana Valle, do Partido Liberal (PL), declarou publicamente que não se arrepende de ter ameaçado utilizar a Lei Maria da Penha contra a também deputada federal Erika Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O episódio ocorreu durante uma reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Federal, realizada na última quarta-feira, dia 8 de maio.

Ameaça explícita durante discussão acalorada

Durante a sessão, Rosana Valle dirigiu-se a Erika Hilton com palavras fortes: "A senhora grita, a senhora fala com uma indignação, parece que vai partir para uma agressão e falo mais: se a Vossa Excelência vier para cima de mim para me enfrentar aqui, nós vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem. Não tem a força de uma mulher". A declaração foi feita enquanto a parlamentar criticava o andamento dos trabalhos da comissão após a eleição de Erika para a presidência.

A deputada Erika Hilton informou que aguardará o desfecho de uma representação protocolada pela vereadora de Santos, Débora Camilo (PSOL), junto ao Ministério Público, para se pronunciar oficialmente sobre o caso. Enquanto isso, Rosana Valle reafirmou à imprensa que não se arrepende do que disse, justificando que se sentiu intimidada pela colega de parlamento.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Justificativas e acusações de ambas as partes

Rosana Valle explicou que sua fala foi motivada pelas "falas agressivas" da presidente da comissão contra outras deputadas que pensam diferente dela. "O que falei não diz respeito ao gênero da deputada, mas, sim, à postura dela, que é agressiva e incita a militância o tempo todo na comissão. Minha fala defende os direitos das deputadas da comissão que pensam diferente da presidente e que têm sido, constantemente, menosprezadas e atacadas", argumentou a parlamentar do PL.

A deputada acrescentou que a comissão não está conseguindo cumprir suas atribuições parlamentares desde que Erika Hilton assumiu a presidência. "Virou palco de militância com a presença de pessoas, ligadas à esquerda, que intimidam os parlamentares da oposição", finalizou Rosana, deixando claro o clima de tensão política que permeia o colegiado.

Resposta firme da presidente e interrupção da sessão

Após a declaração de Rosana Valle, houve um tumulto no plenário que foi interrompido pela presidente Erika Hilton. A parlamentar do PSOL respondeu com firmeza: "Rosana, eu só vou pedir, como fiz da outra vez, que Vossa Excelência não falte com a verdade. Vossa Excelência é agressiva, Vossa Excelência é desrespeitosa e, se Vossa Excelência partir para cima de mim, nós procuraremos também legislações que me protejam e me defendam. A opinião de Vossa Excelência não me importa. O que Vossa Excelência acha não me interessa".

Erika Hilton foi ainda mais enfática ao afirmar que continuaria se expressando da mesma forma. "Gritarei o que for necessário. Fui silenciada durante muito tempo, fui calada durante muito tempo e agora gritarei tudo o que eu acho que é verdade. Se a incomoda, procure um protetor auricular. Sou membro da comissão, como a senhora", declarou a presidente, evidenciando o choque de estilos e posicionamentos políticos.

Encerramento antecipado e queixa policial

Diante da escalada do conflito, a presidente Erika Hilton decidiu encerrar a sessão antecipadamente para que a deputada Clarissa Tércio, do Progressistas (PP), pudesse registrar uma queixa na delegacia da Polícia Legislativa. O motivo foi a denúncia de que um visitante teria proferido ofensas verbais contra a parlamentar durante a reunião, acrescentando mais um elemento de tensão ao já conturbado ambiente da comissão.

Este episódio revela as profundas divisões e o clima de hostilidade que têm marcado o trabalho da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, levantando questões sobre o uso adequado de instrumentos legais criados para proteger as mulheres em situações de violência.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar