Carla Perez se manifesta após acusações de racismo no Carnaval de Salvador
A cantora e dançarina Carla Perez finalmente quebrou o silêncio na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, após enfrentar uma onda de críticas por seu comportamento durante a apresentação no trio Pipoca Doce, no Largo do Campo Grande, em Salvador. O episódio ocorreu quando a artista subiu nos ombros de seu segurança negro para acenar aos fãs, uma cena que rapidamente se tornou viral e desencadeou acusações de reprodução de simbologias racistas e remetentes à subjugação escravocrata.
Debate intenso nas redes sociais e reação da cantora
Nas plataformas digitais, especialmente no X, antigo Twitter, a polêmica ganhou proporções significativas. Um post com quase 4.000 curtidas comparou Carla Perez a uma "sinhá" e questionou ironicamente: "Brasil, século XXI?", acompanhado de uma imagem do momento. A postagem viralizou, gerando discussões acaloradas sobre racismo estrutural e a naturalização de desigualdades históricas no país.
Em resposta, Carla Perez publicou uma longa nota de esclarecimento em seu perfil no Instagram. A artista explicou que sua intenção ao subir nos ombros do segurança era estabelecer um contato físico mais próximo com seu público, especialmente as crianças, devido à sua baixa estatura. No entanto, ela reconheceu imediatamente o impacto negativo da cena.
"A imagem que ficou é dura e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada", afirmou a cantora em sua declaração pública.Pedido de desculpas e compromisso futuro
Concluindo seu pronunciamento, Carla Perez pediu desculpas de forma direta e sincera, assumindo total responsabilidade pelo ocorrido. Ela não apenas reconheceu o erro, mas também se comprometeu a ir além das palavras, prometendo ações concretas contra o racismo no Brasil. A artista enfatizou a importância de aprender com o episódio e contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária.
Vale destacar que a apresentação no Pipoca Doce marcou a despedida de Carla Perez do bloco, que ela liderava desde o ano 2000, quando ainda era conhecido como Algodão Doce. O evento tem como proposta principal acolher famílias que desejam curtir o Carnaval junto com seus filhos pequenos, oferecendo um ambiente seguro e com músicas apropriadas para todas as idades.
Contexto da apresentação e inspiração artística
Para encerrar esse ciclo de forma especial, a cantora se vestiu como uma das paquitas de Xuxa, figura que ela considera sua maior inspiração artística. A homenagem reforçou o caráter lúdico e familiar do bloco, contrastando com a polêmica que se seguiu. Apesar das boas intenções, o episódio serviu como um alerta sobre como gestos aparentemente inocentes podem carregar significados profundos e dolorosos em um país com uma história marcada pela escravidão e desigualdade racial.
O caso de Carla Perez no Carnaval de Salvador reacendeu debates essenciais sobre representação, consciência racial e a necessidade de constante reflexão sobre nossas ações, especialmente em espaços públicos e culturais. A resposta da artista, embora tardia para alguns, demonstrou um passo importante no reconhecimento de privilégios e na busca por reparação simbólica.