Quarta edição do C6 Fest em São Paulo enfrenta desafios climáticos e técnicos, mas entrega grandes momentos musicais
Entre os dias 21 e 24 de maio de 2026, São Paulo sediou a quarta edição do C6 Fest, evento que já se consolidou no calendário cultural da cidade. Conhecido por sua curadoria atenta a nomes emergentes internacionais e pela sofisticação estrutural, o festival conta com restaurantes badalados e dois palcos especiais: a Tenda Metlife, espaço coberto, e o Auditório Ibirapuera, cujas paredes brancas se transformam em telões ao anoitecer. No entanto, esta edição enfrentou dois problemas: o mau tempo, com forte chuva no sábado, e instabilidade na mixagem de som, com graves excessivos e vocais baixos em algumas apresentações.
Pontos baixos
Amaarae: A artista ganesa-americana abriu os shows da Arena Heineken no sábado com um palco simples e performance baseada em autotune. Apesar do visual marcante e das batidas do álbum Black Star, o público se dispersou com o agravamento da chuva. Ela tocou Starkilla como segunda faixa, mas não conseguiu manter a atenção.
Magdalena Bay: O duo formado por Matthew Lewin e Mica Tenenbaum foi prejudicado por fatores estruturais: horário no primeiro show de domingo, palco iluminado pelo sol que escondia as projeções psicodélicas, e som desregulado. O público pedia “mais alto” sem sucesso. Apesar do charme das roupas e músicas do disco Imaginal Disk (2025), foi considerado o pior show da edição.
Pontos altos
Wolf Alice: A banda inglesa tocou na Tenda Metlife no sábado, com casa cheia. Apesar de atraso de dez minutos e problemas técnicos – em Leaning Against The Wall, os instrumentos sumiram, virando um espetáculo quase a capella – a vocalista Ellie Rowsell agradeceu aos fãs que cantaram mais alto. O repertório misturou hits como Bros e Don't Delete The Kisses com faixas introspectivas como The Sofa, destacando os vocais agudos.
The XX: No sábado, os ingleses misturaram som clássico com experimentações na mesa de som, bem aproveitado por Jamie xx e Romy. Após nove anos sem vir ao Brasil, tocaram Crystalized, Islands e Intro. Contudo, conversas paralelas na plateia prejudicaram a imersão.
Oklou: A popstar francesa surpreendeu com apresentação visualmente robusta e cheia de energia, considerada a melhor do festival. Com feixes de luz, flauta doce e o colaborador Casey MQ, agitou a multidão. Faixas como Harvest Sky, Endless e Fall foram cativantes. Ela disse à VEJA que não nasceu para o palco, mas o esforço compensou.
Robert Plant: O ex-vocalista do Led Zeppelin subiu ao palco com humildade, apresentando-se como “Robert, da Inglaterra”. Com banjo e violoncelo, tocou ao lado do grupo Saving Grace, do disco homônimo de 2025, para a maior plateia do festival. Surpreendeu quem só o conhecia como líder do heavy metal.
Cameron Winter: O americano de 24 anos, astro da Geração Z, lotou o C6 Lab. Seu show em estilo recital, filmado por Paul Thomas Anderson na Califórnia, trouxe faixas melancólicas do álbum Heavy Metal ao piano. A voz grave e gutural dividiu opiniões online, mas ao vivo conquistou pela crueza e alma.
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